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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Traumerei ("a sonhar") - Franz Schubert

Schubert ao piano - Gustav Klimt
Kinderszenen, Opus 15, que em português se traduz por Cenas da Infância ou Cenas Infantis, é um conjunto de treze andamentos para piano solo, compostos em 1838 pelo compositor do romantismo alemão Robert Schumann.
Numa carta à sua futura mulher, Clara Josephine Wieck, Schumann diz que tinha composto uma nova obra como se fosse o eco de uma resposta que ela, Clara, lhe escrevera uma vez, dizendo-lhe que algumas vezes se dirigia a ele como se ele fosse uma criança. Schumman procurava exprimir as lembranças que um adulto tem da infância. Este que posto aqui, Traumerei, é o 7o. andamento, o qual foi tema amoroso de Robert e Clara Schumman no filme americano Song of Love (com Katherine Hepburn no papel de Clara).

terça-feira, 8 de junho de 2010

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010- Fantasie-Impromptu

Viajante sobre o mar de neblina - Caspar David Friederich

Continuando a homenagem pelos 200 anos de nascimento de Chopin em 2010.
Esta fantasia em dó menor (vide vídeo abaixo), op.66 (póstuma), composta em 1834, é uma de suas obras mais conhecidas, e foi dedicada à Baronesa de L´Esté, e publicada pelo pianista Julian Fontana, amigo polonês de Chopin e intérprete de suas obras . Chopin pediu ao mesmo que não a publicasse enquanto ainda estivesse vivo, pois acreditava que a peça era muito parecida ao 3o. movimento da Sonata ao Luar (Beethoven) e por isso tinha vergonha. O pedido foi atendido pelo amigo.

Estudei esta peça enquanto estudante de piano. É uma obra muito difícil a meu ver, devido aos contratempos (p. exemplo, há trechos em que a mão esquerda faz 16 notas contra tercinas - 3 notas em 1 tempo- da mão direita, e nenhuma delas ocorre simultaneamente). Quando executada em velocidade, fica realmente difícil e se não for executada corretamente, pode dar um aspecto de som " sujo".

Embora seja uma das minhas música favoritas de todos os tempos, também é a que mais me trouxe decepção. Explico-me. Em 1995, fiz um intercâmbio para a Itália para estudo de piano. Ao apresentar esta peça ao professor italiano em uma aula com vários alunos, após meses de estudo, ele manda parar tudo e diz: " está tudo errado". E estava mesmo, eu não estava executando os contratempos corretamente. Mas é engraçado, há críticas que acabam com você, e esta foi uma delas. Nesse momento pensei que estava perdendo muito tempo com o piano, que para mim era apenas um hobbie e não era para se tornar algo estressante.

Mesmo assim, adoro ver alguém interpretando a obra, como recentemente fez uma menina pobre do interior nordestino que apareceu no Fantástico. Eu ainda continuo executando a parte do meio da música, que é lenta e tecnicamente mais fácil, e uma das melodias mais belas que existem, que remete a uma atmosfera delicada e sonhadora.

sábado, 8 de maio de 2010

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010 - Prelúdio no. 15 " Raindrop"

Continuando a série em homenagem aos 200 anos do nascimento de Chopin em 2010.
Os prelúdios de Chopin (Op. 28) são um conjunto de pequenas peças para piano, um para cada número de tonalidade existente (24), originalmente publicados em 1839. Inspirados nos prelúdios do Cravo bem Temperado, de Bach, por sua vez inspiraram os prelúdios de Debussy e Rachmaninov. Chopin compôs a maior parte deles na sua estada em Valdemossa, localidade próxima a Palmas de Maiorca (Espanha), onde o compositor ficou em repouso com a sua companheira George Sand por motivo de saúde (naquela época era comum que pacientes que sofriam de tuberculose procurassem balneários mais ao sul da Europa, menos frios, para se tratarem). A publicação dos prelúdios provocou rebuliço no ambiente musical da época, pois eram peças muito curtas e não seguiam regras clássicas.
Embora o termo prelúdio seja geralmente usado para descrever uma peça introdutória, os de Chopin permanecem como peças próprias, pois cada um deles transmite uma emoção ou idéia específica. É o caso deste que posto aqui. Apelidado de "Gota d´água", é o mais extenso dos 24. A melodia se dá na mão direita e, no acompanhamento da esquerda, a repetição das notas nos faz imaginar uma gota de chuva caindo sobre uma superfície de água, martelando, constante, calma, como uma chuva fraca. Já na parte do meio, a melodia se torna mais pesada, mais escura, na mão esquerda, como se a intensidade da chuva estivesse aumentando, atingindo um clímax. É muito interessante.

domingo, 25 de abril de 2010

Un Sospiro - delicadeza e virtuosismo de Liszt

Franz Liszt (22 de Outubro de 1811 – 31 de Julho de 1886) foi um compositor húngaro, pianista virtuoso e professor. Ficou conhecido por toda a Europa por suas grandes habilidades no piano, que adquiriu avançadas técnicas precocemente, dito por seus contemporâneos que teria sido talvez o melhor pianista de todos os tempos. Como compositor influenciou artistas como Richard Wagner, Hector Berlioz, Edvard Grieg entre outros.
Un sospiro (um suspiro, em italiano) é o terceiro do conjunto " Três Estudos de Concerto" de Lizst, algumas vezes referido como Estudo no. 39 (segundo a literatura, talvez não tenha sido Liszt que nomeou o estudo como Un Sospiro). Não sei quem então o fez, mas foi muito feliz na escolha. A melodia simples, quase impressionista, nos remete a alguma lembrança... àquele suspiro rápido que damos quando lembramos de algo bom, quando a nostalgia nos preenche.
Este estudo se dá com o cruzamento frequente das mãos, onde a simples melodia se alterna, e arpeggios.

Trata-se de uma peça bastante difícil de executar. Apesar da contagem de tempo aparentemente fácil (4/4), a melodia que está por baixo é difícil de desenvolver pela imensa quantidade de notas por estrofe, o que se torna mais difícil perto do clímax da composição, no final, quando as mãos têm que se cruzar múltiplas vezes.

A obra foi dedicada ao tio de Liszt, Eduard Liszt.


**obras de arte do artista inglês Marcus Stone**

sexta-feira, 9 de abril de 2010

200 anos do nascimento de Fréderic Chopin em 2010 - Noturno no. 19

Continuando a série de posts em homenagem aos 200 anos de nascimento de Chopin.
Recentemente, a novela Viver a Vida teve em um de seus capítulos uma cena em que alguns personagens da novela foram assistir a uma apresentação em homenagem a Chopin. Um dos personagens inclusive era um menino, que estudava piano e queria se tornar um grande músico. Fico feliz quando vejo estas manifestações nos veículos de comunicação de massa. Quando estudava piano, durante a minha infância e parte da minha adolescência, praticamente não tinha com quem conversar sobre o assunto. Aos 16 anos fiz um curto intercâmbio na Itália (devido a um convênio da minha escola de música em Porto Alegre com o Conservatório Vivaldi em Alessandria, norte da Itália). O objetivo do intercâmbio era receber aulas e participar de pequenos recitais apresentando música clássica brasileira. Foi uma experiência incrível. Porém, voltei um pouco desanimada. Percebi como os italianos estavam anos-luz na nossa frente em matéria de música clássica, pois afinal, o país é um dos berços deste estilo. Espero que cada vez mais crianças possam se interessar e estudar esta herança tão valiosa que nos foi deixada.

Continuando então a série de posts comemorando os 200 anos de nascimento de Frédéric Chopin, deixo aqui um vídeo de uma obra que executei muito na minha infância, e que foi apresentada naquele capítulo da novela Viver a Vida: Noturno no. 19, op. 72 no. 1, interpretado por Eva Brandy.



imagem: Duas meninas ao piano - Pierre-Auguste Renoir

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Deux Arabesques: música traduzindo a natureza

Deux arabesques (dois arabescos) é conjunto de 2 peças compostas pelo francês Claude Debussy, entre os anos de 1888 e 1891, sendo um dos seus trabalhos mais precoces, quando ele tinha cerca de 20 anos. Apesar disso, as arabesques contém dicas do estilo musical que ele viria a seguir. O conjunto pode ser classificado como música impressionista, acompanhando o impressionismo das artes visuais, pois parece evocar impressões da natureza.
A arabesque no.1, em Mi maior, como muitas obras impressionistas, abre com um arpeggio que sugere um fluxo de água, leve, transparente.
A arabesque no. 2, em Sol maior, é mais rápida e enérgica, abrindo com rápidas trinados que podem sugerir algo que treme ... para mim é como fosse batidas de asas de beija-flores (ou borboletas, libélulas), que ora seguem um trajeto sinuoso, planando com as asas abertas, ora as bate rápido, suspendo-se no ar.


Como seu precursor na arte visual, o impressionismo musical foca-se na sugestão e na atmosfera, e não em provocar emoções fortes ou contar uma história. Esse estilo ocorreu (também como nas artes visuais) como uma reação aos excessos da Era Romântica. Enquanto esta última era caracterizada pelo uso dramático das escalas maiores e menores, a música impressionista tende a fazer mais uso da dissonância e de escalas pentatônicas. Os românticos, como Beethoven e Tchaikowsky, usavam formas mais longas como sinfonias e concertos, enquanto que os impressionistas favoreciam formas mais curtas como noturnos, arabescos e prelúdios.

Além do impressionismo, estas peças também me remetem à Art Nouveau, pois também são contemporâneas a esta manifestação. Consigo perfeitamente imaginar um contexto em que a fluidez e leveza das mulheres do ícone do estilo - Alphonse Mucha (vide imagens)-, com seus cabelos esvoaçantes, em ondulações, com tudo muito redondamente ornamentado, têm como pano de fundo a música de Debussy, principalmente as Deux Arabesques.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010: Estudo Revolucionário

O estudo opus 10 no. 12 de Chopin, também conhecido como estudo Revolucionário, é uma das obras mais famosas para piano solo,composta por volta de 1831. Faz parte da série dos 12 Grandes Estudos que o compositor fez dedicados ao seu amigo compositor Franz Liszt. Este estudo levou esse nome pois parece ter sido inspirado pelo sofrimento que teve pela queda da Polônia, sua amada terra natal, numa insurreição revolucionária contra a Rússia (segundo relatos, ele manifestava imensa dor por esta derrota), no mesmo ano.

Trata-se de uma peça muito difícil, que mesmo sendo usualmente apresentada em concertos, também destina-se ao estudo da técnica, da velocidade, sendo uma importante obra no aprendizado do piano. Aqui a velocidade é dada com uma escala harmônica feita com a mão esquerda, e a melodia com a direita. Toda esta velocidade imposta com a mão esquerda começa com rompantes em notas mais agudas que parecem escorregar para o lado grave do piano, sendo mesmo uma metáfora para a queda da Polônia ... ouvindo a música temos a sensação mesmo de algo que cai, que vai por terra como uma energia acumulada que se desfaz...

Vista de Krakóvia de Ulica Nowy Swiat, Varsóvia, 1778 - Bernardo Bellotto
Frederic Chopin compondo seu estudo em Dó Menor - Norman Price

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010 - 1

Retomando a minha promessa de postagens sobre Chopin no bicentenário de seu aniversário em 2010, gostaria de deixar o vídeo de uma das suas baladas, executada por Vladimir Horowitz.


A Balada nº 1, em Sol menor, Opus 23, é a primeira das quatro baladas compostas pelo compositor polonês Frédéric Chopin para piano. Foi composta entre 1835 e 1836, durante os primeiros dias do compositor em Paris, e foi dedicada ao "Monsieur le Baron de Stockhausen" embaixador de Hanover na França. De acordo com um comentário do compositor Robert Schumann, Chopin teria citado o poeta Adam Mickiewicz como influência para as suas baladas. Ele teria escrito em uma carta: "Recebi uma nova balada de Chopin. Parece um trabalho bastante próximo de seu gênio, embora não seja o mais genial e eu lhe disse que de todas as suas composições é a que mais gosto."

No filme O Pianista, esta balada é tocada duas vezes, na interpretação de Janusz Olejniczak, dirigido por Roman Polansky. Na primeira vez, são escutados apenas alguns compassos, quando Władysław Szpilman toca no ar, num hospital alemão abandonado. Na segunda vez, é ouvida numa cena de aproximadamente 4 minutos, quando um militar alemão é tocado pela beleza da música e do talento de Szpilman, desistindo de entregá-lo para os nazistas.

E de pensar que já toquei isso... desisiti pois nunca consegui fazer direito depois do 08:46, é muuuuuito difícil!

Visite este post para mais informações sobre Chopin: http://moradadevenus.blogspot.com/2009/12/200-anos-do-nascimento-de-frederic.html

Sonata ao Luar em Minha Amada Imortal

Minha Amada Imortal é outro filme que está entre os meus favoritos. Mas também sou suspeita para falar, pois o filme apresenta dois de meus ídolos: (1) o compositor Ludwig Van Beethoven e (2) o espetacular ator Gary Oldman.


O filme é baseado em uma carta que Beethoven escreveu para uma certa " amda imortal", provavelmente datada de julho de 1812, endereçada a uma mulher desconhecida com quem ele teria, na semana anterior, um encontro em Praga ou Viena. Os detalhes da carta indicam um provável relacionamento de longa data, no qual ele explica os prováveis impedimentos para um futuro casamento. O filme desenrola-se na busca desta mulher, tendo em vista que Beethoven teve vários relacionamentos, permanecendo a dúvida entre 3 pretendentes. O final do filme é muito supreendente e também muito triste.



A cena que postei mostra quando se descobre que Beethoven estava surdo. Sua amiga Giulietta, que é uma de suas pretendentes, insiste ao pai que lhe dê um piano, para que possa provar que ele ainda toca (tendo em vista que passara por momentos de " baixa" nas suas apresentaçoes). Eles entregam o piano e fingem que não há ninguém em casa, para que Beethoven fique mais à vontade. É aí que observam por uma janelinha na porta que ele, para tocar, necessita deitar a sua face sobre a tampa do piano de cauda, quando começa a executar a sonata ao luar, para melhorar a captação das ondas sonoras. Quando descobre que foi enganado, fica furioso, sai xingando todos, mas a surdez o impede de ouvir os pedidos de desculpas de Giulietta. A interpretação de Oldman neste momento é para mim muito tocante.


A Sonata Op. 27 n. 2 conhecida como Sonata ao Luar foi muito tocada na época de Beethoven, que chegou a dizer que já tinha feito músicas melhores, pode? Ela serviu de tema para inúmeros filmes e romances, e só recebeu o apelido famoso muitos anos depois da morte de Beethoven. Foi o crítico Rellstab que comparou a música a um luar no lago Lucerna (lindíssimo lago suíço). A comparação "pegou" e chegou até nós até os dias de hoje.

sábado, 9 de janeiro de 2010

La Bohème

Quero continuar falando de boemia neste post, desta vez para lembrar da famosa ópera em quatro atos do italiano Giacomo Puccini, a qual, como falei ontem, foi baseada no livro de Henri Murger, Scènes de la vie de bohème.
Até a época em que Puccini compôs La Bohème, quase todos os personagens de ópera tinham sido reis, príncipes, nobres, guerreiros, deuses ou heróis da mitologia grega. Os personagens de La Bohème são intelectuais proletários que não têm dinheiro nem para pagar o aluguel, e a protagonista Mimi morre de tuberculose. Antes do sucesso, o próprio Puccini conheceu grande pobreza. A vida boêmia que Puccini vivia na época também era muito semelhante à dos personagens de La Bohème. A humanidade de seus personagens e a partitura de Puccini tornam La Bohème uma das óperas mais famosas do compositor.
Deixei aqui duas árias da ópera nas versões que maais gosto: (1) Che gelida manina com Luciano Pavarotti e (2) Quando m´en vo com Anna Moffo. A primeira é da cena em que o personagem Rodolfo conhece Mimi. A ação se desenvolve em Paris por volta do ano de 1830 no sótão que Rodolfo (poeta) divide com o amigo Marcelo (pintor).

A jovem Mimí bate na porta para pedir ajuda pois o vento havia apagado a luz de sua vela. Rodolfo abre, fica fulgurado pela beleza de Mimí e a convida a entrar para aquecer-se perto do fogo. A jovem, seriamente doente, sufocada por um acesso de tosse, quase desmaia e Rodolfo se dispõe a socorrê-la. Ficando melhor, Mimí agradece e sai, mas volta logo depois porque havia esquecido as chaves no sótão de Rodolfo. Um golpe de vento apaga as velas de Mimì e de Rodolfo, que ficam no escuro. Rodolfo encontra logo as chaves mas instintivamente as coloca no bolso. Continuando a buscar no chão, suas mãos se tocam. E Rodolfo explode de amor! Uma das partes que mais gosto é quando ele descreve o que faz da vida, que é um poeta, que vive de escrever e viver, e que apesar de sua pobreza, sente-se como um rei, pois tem a alma milionária. Enfim, descrevendo a essência do sentimento boêmio!

A outra cena que coloquei é quando uma outra personagem, Musetta, tenta fazer ciúmes ao seu amado Marcello, e a letra é muito divertida, me identifiquei com ela, quando nos produzimos todas para o nosso amor que nos desdenha, e acabamos vendo-o ficar de queixo caído.

Deixo a letra de ambas com as respectivas traduções.



Che Gelida Manina (Que Mãozinha Gelada)

Che gelida manina,se la lasci riscaldar.
Que mãozinha gelada, se me deixas aquecê-la
Cercar che giova, al buio non si trova.
o que você procura, no escuro não se encontra
Ma per fortuna è una notte di luna, e qui la lunal'abbiamo vicina.
Mas por sorte é uma noite de lua, e aqui a lua, a temos bem próxima.
Aspetti signorina, le dirò con due parole
Espere moça, te direi com duas palavras,
chi son, chi son e che faccio,come vivo. Vuole?
quem sou, quem sou e o que faço, como vivo. Você quer?
Chi son?Sono um poeta. Che cosa faccio? Scrivo. E come vivo? Vivo.
Quem sou? Sou um poeta. O que faço? Escrevo. E como vivo? Vivo.
In povertà mia lieta,scialo da gran signore,
Na minha despreocupada pobreza, vivo como um grande senhor,
rime ed inni d'amore per sogni e per chimere e per castelli in aria ...L'anima ho milionaria!
rimas e hinos de amor, para sonhos e quimeras e para castelos no ar ... Tenho a alma milionaria!
Talor dal mio forziere ruban tutti i gioelli due ladri ...Gli occhi belli.
Talvez deste meu cofre roubem todas as jóias. Dois ladrões ... os olhos belos.
V'entrar com voi pur ora, ed i miei sogni usati e i bei sogni miei tosto si dileguar.
Entram com você também agora, e os meus sonhos de costume e os meus belos sonhos logo vão se dissipar.
Ma il furto non m'accora, poichè,poichè v'ha preso stanza la speranza.
Mas o roubo não me apavora, porque, porque nasceu a esperança.
Or che mi conoscete,parlate voi.Deh! Parlate!Chi siete, vi piaccia dir!
Agora que me conheces, fale você. Fale! Quem você é, gostaria de dizer?

Quando m´en vo (Quando me vou)

Quando men vo, quando men vo soletta per la via, la gente sosta e mira.
Quando me vou, me vou sozinha pela rua, as pessoas param e me olham.
E la bellezza mia tutta ricerca in me,Ricerca in me da capo a pie.
E toda a minha beleza a procuram da cabeça aos pés.
Ed assaporo allor la bramosia sottil,Che da gl'occhi traspira.

E então eu provo o sutil desejo, que transpira dos seus olhos.
E dai palesi vezzi intender sa alle occulte beltà.
E podem ver belezas ocultas por trás dos encantos que aparecem
Cosi l'effluvio del desio Tutta ma'ggira.Felice mi fa!Felice mi fa!
E assim o suspiro do desejo rodopia ao meu redor, me faz feliz, me faz feliz!
E tu che sai, che memori e ti struggi , da me tanto rifuggi?

E tu que sabes, recordas e resistes, tanto foges de mim?
So ben: le angoscie tue non le vuoi dir,Non le vuoi dir,So ben ma ti senti morir!
Sei bem, as tuas angústias não queres contar, não queres, eu sei bem, mas te sentes morrer!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010


Estudei piano por 10 anos na minha infância, ainda toco hoje - embora não como antes-, mas tenho um sentimento muito especial por este instrumento magnífico. O compositor que mais gostava de estudar era Chopin, por isso, gostaria de fazer uma humilde homenagem com um post sobre ele, agora que fará 200 anos do seu nascimento. Durante todo ano de 2010 colocarei obras suas nos meus posts.
Frédéric Chopin (1810-1849) foi um compositor polonês do período romântico (talvez o ícone desta fase), um gênio, sendo considerado um dos maiores compositores para piano de todos os tempos. Era filho de mãe polonesa e pai francês. Em uma escola que frequentou em Varsóvia já impressionava os professores por sua habilidade para fazer retratos e escrever cartas. Mas o dom era mesmo para música, tendo aos 7 anos já composto duas " polonesas" e sendo considerado um segundo Mozart naquela cidade. Aos 20 anos já dava concertos em Viena e no leste europeu, mudando-se posteriormente para Paris, onde fez carreira como intérprete, professor e compositor . Lá teve contato com personalidades artísticas da época, como o pintor Eugène Delacroix (que fez retratos seus), o compositor Franz Liszt (que terminou de compor um de seus noturnos após a sua morte), fez amizade com outros compositores renomados como Berlioz, Mendelssohn, Bellini e Schumman (este último o considerava um gênio). Teve uma relação amorosa turbulenta com a escritora francesa George Sand, através da qual conheceu a maioria destas " celebridades". Morreu aos 39 anos aparentemente vítima da tuberculose, assim como muitos outros românticos famosos (embora haja suspeitas de que fosse portador de fibrose cística, já que nunca teve boa saúde). Antes do seu funeral foi retirado o seu coração (a pedido dele), o qual a sua irmã levou, dentro de uma urna de cristal selada, banhada em cognac, para Varsóvia. Esta caixa permanece selada em um pilar da Igreja da Santa Cruz, com os dizeres " onde o seu tesouro está, está também seu coração", o qual foi poupado pelos nazistas durante a 2a. guerra. O funeral foi na Igreja de la Madeleine em Paris, com a presença de 3000 pessoas e ao som, entre outras, da " Marcha Fúnebre", por ele composta. Está enterrado no cemitério Père Lachaise em Paris.
Estudar Chopin hoje é imprescindível para todo o estudante de piano, não só pela dificuldade técnica, mas principalmente pela profundidade expressiva que as obras exigem, deve haver um mergulho na musicalidade. A sua influência na música erudita é indiscutível e pode ser observada em vários compositores, como Schumman e Liszt. Ele inovou em formas musicais exclusivas para a época, como as baladas, as sonatas para piano, noturno, improvisos e prelúdios, além de incorporar em alguns trabalhos os sentimento nacionalista eslavo, em suas mazurkas e polonesas. Muitas obras são internacionalmente conhecidas, como é o caso da Valsa Brilhante (do desenho do Tom e Jerry), da balada no. 1 op. 23 (que foi trilha do filme O Pianista), da própria Marcha Fúnebre, da Fantasia-Impromptu e da primeira parte do Estudo op. 10 no. 3 (que foi trilha da minissérie Riacho Doce) . Este último, o qual estou deixando aqui, foi feito em homenagem ao amor do compositor pela ópera e pela sua terra natal, a Polônia. Ele próprio considerou esta a sua obra mais intimista, tendo uma vez escrito que nunca mais na sua vida conseguiria fazer uma melodia tão bela. Esta obra é conhecida como Tristesse (tristeza em francês).
Sem dúvida a música de Chopin é de linguagem universal, fala direto ao coração das pessoas. Ele é definitivamente o poeta do piano.
Você pode aprender mais sobre Chopin neste site: http://www.ourchopin.com/
As figuras correspodenm a: (1) Chopin tocando no salão do príncipe Radziwill - H.Siemiradzki; (2) Retrato de Frédéric Chopin - Eugéne Delacroix; (3) George Sand ouvindo Chopin ao piano - Adolf Karpellus; (4) Chopin no leito de morte.
Os vídeos correspondem às seguintes obras: Estudo no.3 opus 10 ("Tristesse") e Valsa do Minuto.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Song to the Moon

Como já havia falado em outro post, estou fazendo aulas de canto lírico, de forma que ando absorvida em ouvir performances no youtube. Sempre gostei de música clássica, pois estudei piano por 10 anos, mas também curto outros tipos de som até como hard rock e heavy metal, por incrível que pareça. Mas enfim ... estou muito envolvida em ouvir canto lírico, o que provavelmente se refletirá sobre os meus posts no momento.
Hoje quero falar um pouco de uma ária maravilhosa, Song to the Moon, do compositor tcheco Antonin Dvorak (1841-1904) em sua ópera Rusalka. O vídeo que postei é desta obra interpretada pela bela soprano estonesa Kristine Opolais, não deixe de escutar, e observe que reações a música provoca em você. Para mim é um genialidade, coisa dos deuses, não tenho palavras para descrever a emoção que tenho com tamanha perfeição.


Num momento em que o estilo verismo/realismo estava em voga no mundo da ópera, Dvorak trouxe o mundo das lendas para esta sua penúltima ópera. Smetana foi um dos primeiro compositores a incluir para do folclore e da cultura da Tchecoslováquia na sua música, e assim seguiu também Dvorak, compondo as Danças Eslavônicas. A ópera Rusalka representa este movimento nacionalista combinando costumes e danças populares daquele país (hoje República Tcheca), assim como uma preocupação direcionada aos aspectos místicos da natureza. A Natureza representa o estado de paz e plenitude da consciência humana, e as pessoas estiveram em busca de músicas que traduzissem este sentimento. Dvorak usou a natureza como tema nesta ópera, com melodias ornamentais inspiradas no compositor alemão Wagner.
A importância da orquestração é feita aparente nesta ária que postei, por evocar dramaticamente a noite. A profundidade harmônica do acompanhamento é bela não apenas na sua maestria lírica, mas também por identificar tão bem a cena como a de uma floresta mística. Seus tons enfeitiçados descrevem perfeitamente o luar na floresta, o que cria absoluto silêncio e calma nos espectadores.
O libretto (texto da ópera), escrito por Jaroslav Kvapil, combina elementos de 3 contos de fadas, um deles o famoso "A Pequena Sereia" de Hans Christian Anderson. A letra também traz o uso nacionalista de estórias da mitologia da Boêmia e descrições únicas da natureza que ficam caracterizadas no decorrer da peça. Jaroslav Kvapil, o escritor, manteve as tendências artísticas mais modernas na época, com seu estilo inclinado ao impressionismo (o que me parece também fez Dvorak).
No início da ária, Dvorak usa amplamente acordes arpegiados para convidar os espectadores no mundo de conto de fadas de Rusalka. O bondoso Espírito do Lago, Jezibab, está admirando o canto das ninfas do bosque quando sua filha, uma sereia chamada Rusalka, aproxima-se triste. Ela diz que se apaixonou por um lindo príncipe e quer se tornar humana para concretizar esta união. Profundamente triste, o Espírito do Lago consente o seu pedido, e parte. Então sozinha ela canta esta bela ária, confidenciando com a Lua os segredos do seu sofrimento.
Ela diz (tradução):
Oh lua alta no céu profundo,
sua luz avista regiões distantes,
você viaja pelo vasto, vasto mundo examinando os lares;
Oh lua, pare por um momento,
diga-me, oh diga-me, onde está o meu amado?
Diga-lhe, oh lua de prata no céu,
Que o abraço fortemente,
Que ele deve, pelo menos por um momento,
lembrar destes sonhos!
Ilumine esse local distante
diga-lhe, ah diga-lhe, quem o espera aqui,
Se ele comigo estiver a sonhar,
que esta memória o faça acordar!
Oh lua, não desapareça, não desapareça!


Antes de conhecer a letra já havia me emocinado com a música em si, e tive mesmo a sensação de estar no meio de uma natureza muito selvagem e protegida da ação humana, como numa cachoeira longínqua cheia de bruma e borboletas. Foi incrível descobrir depois que era exatamente isto que Dvorak queria transmitir. A atuação desta soprano também achei incrível, um timbre de voz muito único e um interpretação tocante. Além da beleza física que a faz vestir perfeitamente o papel da sereia Rusalka.
Quem sabe um dia eu chego lá...
Figuras do post (1) A Mermaid - Joh William Waterhouse; (2) Praga - República Tcheca; (3)Ilustração de " A Pequena Sereia" e (4) The Prince and thee Mermaid - Jim Wareen.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Em algum lugar do passado

Somewhere in Time (Em algum lugar do passado) é um filme de 1980, com a direção de Jeannot Szwarc, que retrata a vida de um jovem que retorna ao passado para resgatar uma mulher que, no presente, diz ser o seu grande amor.
Esta bela história de amor e viagem no tempo foi um grande sucesso no Brasil desde seu lançamento, mas curiosamente não fez tanto sucesso nos Estados Unidos. Apesar da fraca bilheteria e críticas desfavoráveis, ele conquistou uma legião de fãs quando foi lançado em vídeo e na TV, e hoje é considerado um clássico, tanto lá quanto aqui.
O filme
O jovem autor teatral Richard Collier (Christopher Reeve), durante a estréia de sua primeira peça na faculdade, recebe de uma velha senhora um relógio, e ela lhe diz: “Volte para mim”. Alguns anos depois, ao sair sem rumo, ele decide hospedar-se no Grand Hotel em Nevada, e fica fascinado ao ver a foto de uma linda mulher na galeria do hotel. Ele descobre que ela é Elise MacKenna (Jane Seymour), atriz famosa que hospedou-se no hotel e lá encenou uma peça em 1912.
Richard fica mais intrigado ainda quando, ao pesquisar na biblioteca da cidade, descobre que ela é a senhora que havia lhe dado o relógio, e que havia morrido mais tarde naquela noite; que Elise era uma jovem cheia de vida e que isso mudou após sua apresentação no hotel, tornando-se reclusa e solitária.
Ele decide então usar as técnicas de auto-hipnotismo e fazer uma viagem de volta a 1912, para encontrá-la. Após muito esforço, ele é bem-sucedido e consegue encontrá-la. Ao vê-lo, Elise pergunta: ‘É você?”, ao que ele responde “Sim”.
Porém, William Robinson (Christopher Plummer), o empresário de Elise, teme que Richard a influencie negativamente e que ela deixe de atuar, e tenta afastá-lo dela. Mas Richard consegue convencer Elise a passear com ele, e aos poucos eles vão se aproximando. Durante a peça, ela improvisa um monólogo dirigido a Richard, na platéia. Isso enfurece Robinson, que faz uma armadilha para espancar e amordaçar Richard nos estábulos do hotel.
No dia seguinte ele consegue escapar e volta ao hotel, onde descobre que a companhia teatral já havia partido. Mas Elise volta e o encontra, e os dois passam sua primeira e única noite juntos. Após pedir Elise em casamento, numa brincadeira ele encontra uma moeda de 1969 no bolso e volta abruptamente ao presente.
Richard tenta em vão voltar a 1912, e vaga pelo hotel por algum tempo, até trancar-se no quarto, onde é encontrado em estado catatônico por Arthur, funcionário do hotel. Quando o médico chega, Richard vê a si mesmo pairando acima de seu corpo, e segue até a luz da janela, onde encontra Elise, que lhe estende a mão.
O relógio paradoxal
Se Richard recebeu o relógio de Elise em 1972, voltou a 1912 e o deu a ela, de onde veio o objeto? Esse paradoxo nunca é explicado.

Christopher Reeve, ator americano muito carismático e (muito lindo por sinal), faleceu em outubro de 2004. Seu papel mais famoso foi como o Super-Homem, numa série de quatro filmes. Após sofrer um acidente que o deixou tetraplégico, passou a liderar uma campanha pela legalização de pesquisas com células-tronco.

A linda trilha sonora é na sua maior parte de autoria de John Barry, mas a música que aparece neste vídeo, que também faz parte da trilha, é a deslumbrante "Rapsódia sobre um tema de Paganini", de Rachmaninov, uma das minhas músicas favoritas.

Em fim, sou fã deste filme, ele é antigo mas é excelente, realmente recomendo para quem nunca assistiu e gosta de histórias de amor. Em algum lugar do passado é a história de um amor que transcende o tempo.