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segunda-feira, 22 de março de 2010

Homenageando um médico de alma

Olá queridos leitores, voltei. Não vejo a hora de registrar aqui alguns do maravilhosos momentos que tive em minhas férias. Porém, a vida não é feita de apenas de momentos felizes. Em 22 de fevereiro de 2010 faleceu o pai do meu marido, meu querido sogro Dr. Reno. Gostaria de dedicar este post a ele, que foi um talentoso cirurgião e com a sua arte salvou a vida de centenas de pessoas. Foi um marco na medicina da sua cidade. Muito dedicado ao seu trabalho, honrou a sua profissão, ajudando ao próximo independente de classe, cor ou credo.

" Cirurgia é a arte de curar com as mãos"

"O bom médico trata a doença. O grande médico trata o paciente que tem a doença"

"O que você deixa para o amanhã não é o que é gravado em monumentos de pedra, mas o que é tecido nas vidas dos outros"

"Quem não vive para servir não serve para viver"

"A vida é como uma cebola: tira-lhes uma camada de cada vez e às vezes choras"

(1) Theodore Billroth com estudantes no auditório em Viena - Adalbert Franz Seligmann; (2) Cirurgia - Christian Schad; (3) A primeira cirurgia com Éter - Robert C. Hinckley; (4) Aula de Anatomia do Dr. Tulp - Rembrandt von Rijin; (5) Before Operation - Henri Gervex; (6) Agnew Clinic - Thomas Eakins

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Asclépio e a minha arte

Decidi começar a publicar arte feita por mim no blog. Eu ia esperar um pouco, adquirir mais experiência, aprender mais etc etc etc. Mas quem sabe postando aqui seja um estímulo para produzir mais.

A figura ao lado é de um quadro que pintei, chama-se "Asclépio" (acrílico sobre tela, 50x30), e foi uma encomenda do meu marido, para colocar no consultório dele. Foi um estudo (uma releitura) de uma imagem que vi numa revista de medicina, de um vitral da Faculdade de Medicina da USP. Adoro Art Nouveau e vitrais, por isso gostei muito de executar este trabalho. Além disso, pude expressar uma das minhas paixões que é a pintura, e também relembrar um pouco da história da Medicina, que é a arte em que mais atuo no momento. Gostaria de falar neste post então um pouco sobre Asclépio.
Asclépio(grego) ou Esculápio (latim) era o deus da Medicina e da cura da mitologia greco-romana. Existem várias versões de seu mito, mas a mais conhecida o aponta como filho de Apolo, o deus da luz, e Corônis, uma mortal. Teria nascido de cesariana após a morte de sua mãe, e levado para ser criado pelo centauro Quíron, que o educou na caça e nas artes da cura. Aprendeu o poder curativo das ervas e a cirurgia, e adquiriu tão grande habilidade que podia trazer os mortos de volta à vida, pelo que Zeus o puniu, matando-o com um raio.

Muitas das narrativas em que se fala de Asclépio vêm através de Homero, e uma vez que atualmente o relato homérico sobre a Guerra de Tróia é considerado a poetização de um evento possivelmente histórico, Asclépio pode ter existido de fato, vivendo em torno de 1200 a.C., e sido mais tarde divinizado. Dentro da cultura grega não era incomum que heróis célebres fossem objeto de culto após sua morte. Escrevendo no século I, Celso explicou que pelo fato de ter aperfeiçoado as artes médicas, antes primitivas, ele mereceu um lugar entre os imortais.

Entre as curas que teria operado, estão as de vários heróis feridos em Tebas; de Filocteto em Tróia; as filhas de Proetus que haviam sido enlouquecidas por Hera; restaurou a visão aos filhos de Fineu; curou com ervas as feridas de Hércules em sua luta contra a Hidra de Lerna, devolveu à vida Orion, Hipólito, Himeneu, Glauco, Panassis e Licurgo. Após sua morte, outras curas lhe foram atribuídas por outros médicos da época.

Ele é representado usualmente como um homem mais velho, vestido com uma túnica que lhe descobre o ombro direito, e apoiado a um cajado onde se enrola uma serpente. Às vezes aparece a seu lado um menino, símbolo da recuperação da saúde. Também pode ser mostrado junto de algum de seus outros filhos, especialmente Higéia, que se tornou uma figura importante em seu culto e chegou a ter templos próprios (de onde vem a palavra higiene e também hígido - aquele que tem saúde). A estátua de seu principal templo fora feita em Epidauro, de ouro e marfim, tinha cerca de seis metros de altura, e ele aparecia sentado em um trono, pousando sua mão direita sobre uma serpente, enquanto que com a esquerda segurava um cajado, e tinha um cão ao seu lado. Asclépio foi representado em moedas cunhadas por 46 imperadores e imperatrizes romanos, e essas moedas circulavam em todo o império romano.

O principal símbolo de Asclépio é um bastão com uma serpente enrolada, que muitas vezes tem sido confundido erroneamente com o caduceu, que possui duas serpentes. A origem do símbolo é muito antiga, anterior aos gregos. Há mais de 5 mil anos os mesopotâmios usavam um bastão com uma serpente como emblema de Ningizzida, o deus da fertilidade, do matrimônio e das pragas. Para os gregos e romanos a serpente era um símbolo da cura porque periodicamente abandona sua pele velha e renasce, da mesma forma que os médicos removem a doença dos corpos e rejuvenescem o homem. Era conhecido também dos judeus antes de Cristo, como se lê no relato bíblico de Moisés erguendo um poste com uma serpente de bronze para livrar o seu povo de uma praga de serpentes.
Foram identificados centenas de santuários antigos de Asclépio em toda a orla do Mediterrâneo e Europa ocidental - desde Mênfis do Egito até Karpow no norte da Europa, desde Ecbátana no Oriente até o País de Gales - através de ruínas arqueológicas, citações literárias e inscrições em monumentos. Estes santuários funcionavam como hospitais, onde as pessoas iam buscar a cura de seus males.

A tradição médica derivada de Asclépio foi assimilada por Hipócrates, considerado por muitos o pai da medicina ocidental, que se formou no santuário de Asclépio em Cós. Ele mesmo era descendente dos Asclepíades, uma linhagem de sacerdotes-médicos que se dizia derivada da progênie do próprio deus. Apesar de a medicina hipocrática se desenvolver em uma linha mais científica e empírica, vários aspectos da sua doutrina se basearam no folclore religioso que cercava o culto de Asclépio, e deu grande atenção aos sonhos como elemento de diagnóstico.

Depois do surgimento do Cristianismo, vários santuários de Asclépio foram transformados em igrejas cristãs, dedicadas a santos ligados à cura, mas ele foi um dos deuses pagãos de maior sobrevida dentro do Cristianismo, em virtude de sua fama de bondade e compaixão. Na época em que o Partenon de Atenas já era uma igreja cristã, no século VI d.C., o templo de Asclépio adjacente ainda era frequentado. Estudiosos afirmam que a liturgia de culto de Asclépio foi uma forte influência sobre a sistematização da ritualística cristã. Justino, em sua Apologia, escreveu que "Quando dizemos que Jesus curou os aleijados e os paralíticos e os que eram doentes desde o nascimento e que ressuscitou os mortos, estamos relatando feitos que eram idênticos àqueles que se diz Asclépio ter praticado"

fonte: Wikipedia

sábado, 5 de dezembro de 2009

Medicina e arte

Neste final de semana participei do 10o. Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade, que é a minha especialidade médica, e para a minha surpresa havia havia uma palestra " Medicina e Arte", assunto que muito me interessa. A palestra, ministrada pelo cirurgião pediátrico Armando Bezerra, foi muito descontraída, pena que durou apenas uma horinha. Estimulou-me a postar no blog, de tempos em tempos, assuntos inter-relacionados sobre medicina e arte, coisa que tenho vontade de fazer já algum tempo.
A relação dessas duas áreas é íntima, vindo desde a antiguidade mitológica, passando pelo Renascimento de Da Vinci, pelo pós - impressionismo de Van Gogh e Munch que coincidiram com o início da psiquiatria no século XIX, até os dias de hoje.
Hoje deixarei registradas algumas obras de pintores famosos que estão relacionadas com a medicina, e algum comentário sobre as mesmas. Farei a tentativa de postar esse assunto pelo menos uma vez por mês, espero que gostem!
Norman Rockwell (1894-1978) foi um famoso pintor e ilustrador norte-americano. Em ilustrações carregadas de emoção, capturou o dia-a-dia da vida americana, incluindo aí diversas obras relacionadas à medicina. As duas pinturas que expus aqui são: (1) "Visitando o médico de família" e (2)"Médico e a boneca". Ele gostava de dar atenção especial às expressões faciais, capturando as expressões de uma maneira exata e caricaturada, assim como contrastes entre infância com a fase adulta.
Edward Munch (1863 - 1944) foi um famoso pintor norueguês que teve sua temática também muito relacionada à questão da doença e da morte, tendo ele mesmo vivido situações como a perda precoce da mãe e de uma irmã, e doença mental de outra irmã. As obras que coloquei aqui são (1) "O grito", a sua obra mais famosa, que retrata perfeitamente a depressão e o sentimento de angústia e (2) "A criança doente".












Luke Fildes (1843-1927) foi um popular pintor e ilustrador inglês, que atingiu fama após ter sido chamado para ilustrar histórias de Charles Dickens. O quadro que coloquei aqui, " O Doutor", foi inspirado pela morte do filho dele e a devoção profissional do médico Gustavus Murray, que cuidou da criança. O quadro transmite bem a dor dos pais e a impotência do médico diante da morte.
ps.: a 1a. obra do post é " Culto a Asclépio" de Robert Thom.