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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Traumerei ("a sonhar") - Franz Schubert

Schubert ao piano - Gustav Klimt
Kinderszenen, Opus 15, que em português se traduz por Cenas da Infância ou Cenas Infantis, é um conjunto de treze andamentos para piano solo, compostos em 1838 pelo compositor do romantismo alemão Robert Schumann.
Numa carta à sua futura mulher, Clara Josephine Wieck, Schumann diz que tinha composto uma nova obra como se fosse o eco de uma resposta que ela, Clara, lhe escrevera uma vez, dizendo-lhe que algumas vezes se dirigia a ele como se ele fosse uma criança. Schumman procurava exprimir as lembranças que um adulto tem da infância. Este que posto aqui, Traumerei, é o 7o. andamento, o qual foi tema amoroso de Robert e Clara Schumman no filme americano Song of Love (com Katherine Hepburn no papel de Clara).

sábado, 24 de julho de 2010

150 anos do nascimento de Alphonse Mucha

F. Champenoise

Em 24 de julho passaram-se 150 anos da morte do artista tcheco Alphonse Mucha, um dos meus favoritos. Na minha opinião, ele é um dos artistas que mais soube observar e transmitir aos seus trabalhos a alma feminina, com a sua sensualidade, seus jeitos, seus olhares, sua delicadeza.

Frutas e Flores

Alphonse Maria Mucha (24 de julho de 1860 – 14 de julho de 1939), foi um pintor tcheco da Art Nouveau, conhecido pelo seu estilo próprio e imagens femininas. Como vários artistas da sua época, procurou um "lugar ao sol" em Paris, centro das artes no século XVIII. Próximo ao Natal de 1894, ocorreu de Mucha entrar em uma loja de impressões onde havia uma súbita e inespedada necessidade por um novo pôster de propaganda para uma peça a ser estrelada pela mais famosa atriz da França, Sarah Bernhardt. Mucha se voluntariou para produzir uma litografia em 2 semanas, e em 1o. de janeiro de 1895, o pôster da peça Gismonda apareceu nas ruas de Paris. A ilustração foi um sucesso, anunciando o novo estilo artístico e seu criador aos cidadãos parisienses. A atriz ficou tão satisfeita com o resultado que assinou um contrato com Mucha por 6 anos.


Gismonda
Mucha produziu, no estilo Art Nouveu, uma grande quantidade de pinturas, pôsteres, anúncios, ilustrações para livros, assim como desenhos para jóias, tapetes e papéis de parede. Seus trabalhos frequentemente apresentavam lindas jovens mulheres flutuando em vestidos neoclássicos, rodeadas por luxuosas flores e por auras desenhadas por seus cabelos.
Quando Mucha faleceu, seu estilo estava considerado ultrapassado. Porém, seu filho
Jiři Mucha devotou muito da sua vida para escrever sobre o pai e atrair atenção para sua arte. Um interesse no estilo próprio de Mucha experienciou um forte revival nos anos 60 (assim como o interesse em Art Nouveau em geral) por causa da onda psicodélica.

Perfumaria Violet

No seu próprio país, Tchecoslováquia, as autoridades não mostraram muito interesse em seu
trabalho naquela época. Apenas recentemente surgiu o Museu Mucha, em Praga, dirigido pelo seu neto John Mucha.http://mucha.tyden.cz/

As Estações (Primavera, Verão, Outono e Inverno)
" A arte existe apenas para comunicar a mensagem espiritual, e nada mais" Alphonse Mucha

terça-feira, 23 de março de 2010

A eterna natureza de Tiffany

Como já havia dito, passei agora 2 semanas de férias na Flórida - EUA. Foi a minha segunda vez lá, então estarei, nos próximos posts, publicando assuntos relativos às experiências que tive.
Sou admiradora de tudo relativo às artes, então adoro visitar museus de arte quando viajo. E este do qual falarei, eu não poderia deixar de conhecer. Gosto muito de Art Nouveau, e um sonho de consumo que tenho é decorar a minha casa com estes abajoures estilo Tiffany (as cópias já são caras, original, então, nem pensar, hehehe.). É lógico então que amei a visita ao Charles Hosmer Morse Museum of American Art, localizado no elegante bairro de Winter Park, em Orlando. Este museu, entre várias coisas interessantes (como uma tela do ilustrador Maxfield Parrish, que adoro), possui o maior acervo de obras de Louis Comfort Tiffany. Quase enlouqueci vendo todos aquele abajoures lindíssimos, que são as suas obras mais conhecidas, como também aquelas janelas vitrais enormes e a exótica capela que Tiffany criou para uma exposição em Chicago, trabalho que aumentou a sua popularidade em seu país. Infelizmente, fotos não eram permitidas; as que coloco aqui são de obras do acervo via internet.

Louis Comfort Tiffany (1848-1933) foi um dos mais criativos designers do final do século XIX. Declarou que o objetivo de sua vida era a busca da beleza. Teve a sorte de ser filho de um milionário que fundou a mais prestigiosa companhia de jóias da América (Tiffany), de modo que pôde se dedicar ao seu ideal pela arte sem preocupar-se com a questão financeira, que é um problema para muitos artistas. Começou seu treinamento como pintor, mas depois estudou a química e tecnologia do vidro. Em 1885, estabeleceu sua própria firma de objetos decorativos, mas seu foco era desenvolver novo métodos para a produção de vidros.

Assim, aprimorou a antiga técnica usada para colorir vidros opalescentes; ele acreditava que desta forma poderia reproduzir melhor a beleza da natureza, ao invés de simplesmente pintar o vidro conforme a tradição gótica. Estava convicto de que a natureza deveria ser a fonte primária de inspiração para desenhar as sua obras. Para criar os vidros coloridos, ele adicionava determinados metais à mistura de areia, soda e cal (que é o que forma o vidro, quando aquecida), o que conferia a cor (por exemplo, adicionava ferro e o vidro ficava verde, adicionava cobalto e ficava azul, manganês para criar a púrpura, e assim por diante). Com os pedaços de vidro que criava, ele os cortava e os organizava como em mosaico, ligando as peças com chumbo ou cobre para formar a figura desejada.
Se for à Orlando, vale a pena a visita:
Charles Hosmer Morse Museum of American Art
445 North Park Avenue, Winter Park, Florida
www.morsemuseum.org/

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Deux Arabesques: música traduzindo a natureza

Deux arabesques (dois arabescos) é conjunto de 2 peças compostas pelo francês Claude Debussy, entre os anos de 1888 e 1891, sendo um dos seus trabalhos mais precoces, quando ele tinha cerca de 20 anos. Apesar disso, as arabesques contém dicas do estilo musical que ele viria a seguir. O conjunto pode ser classificado como música impressionista, acompanhando o impressionismo das artes visuais, pois parece evocar impressões da natureza.
A arabesque no.1, em Mi maior, como muitas obras impressionistas, abre com um arpeggio que sugere um fluxo de água, leve, transparente.
A arabesque no. 2, em Sol maior, é mais rápida e enérgica, abrindo com rápidas trinados que podem sugerir algo que treme ... para mim é como fosse batidas de asas de beija-flores (ou borboletas, libélulas), que ora seguem um trajeto sinuoso, planando com as asas abertas, ora as bate rápido, suspendo-se no ar.


Como seu precursor na arte visual, o impressionismo musical foca-se na sugestão e na atmosfera, e não em provocar emoções fortes ou contar uma história. Esse estilo ocorreu (também como nas artes visuais) como uma reação aos excessos da Era Romântica. Enquanto esta última era caracterizada pelo uso dramático das escalas maiores e menores, a música impressionista tende a fazer mais uso da dissonância e de escalas pentatônicas. Os românticos, como Beethoven e Tchaikowsky, usavam formas mais longas como sinfonias e concertos, enquanto que os impressionistas favoreciam formas mais curtas como noturnos, arabescos e prelúdios.

Além do impressionismo, estas peças também me remetem à Art Nouveau, pois também são contemporâneas a esta manifestação. Consigo perfeitamente imaginar um contexto em que a fluidez e leveza das mulheres do ícone do estilo - Alphonse Mucha (vide imagens)-, com seus cabelos esvoaçantes, em ondulações, com tudo muito redondamente ornamentado, têm como pano de fundo a música de Debussy, principalmente as Deux Arabesques.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Redescobrindo a essência da mulher

Há pouco tempo virei a casa dos trinta e é interessante como a mudança mexe com a gente. A beleza fresca já não é mais a mesma dos 18, obviamente, mas o conhecimento que tenho adquirido sobre mesma mim não tem preço. Estou mais decidida, e posso com mais clareza estabelecer as minhas prioridades, não perdendo tempo com bobagens. Observando estas mudanças em mim e também nas mulheres que atendo como médica da família, posso concluir que o sexo feminino está sofrendo de uma crise de identidade. Pros psiquiatras e pra indústria de anti-depressivos isso é bom, no entanto, são os únicos a lucrar com isso. A sociedade é que perde. Me explico. A conquista do mercado de trabalho pela mulher e sua consequente independência financeira é um marco histórico e de grande valor, não há como negar, agradecemos àquelas que abriram este caminho. Mas onde está o espaço para a mulher namorada/esposa, dona de casa, mãe, mulher prendada, etc etc? Às vezes a mulher mergulha de tal forma numa rotina frenética de trabalhar e trabalhar, que o seu casamento não dura, que ela delega a educação de seus filhos a terceiros cujas consequências já conhecemos, sua casa está de pernas pro ar, não aprende coisas novas, sua saúde em frangalhos, não tem tempo para se cuidar. Isso quando ela consegue constituir uma família, pois muitas vezes vai vendo o tempo passar , envelhecendo e ficando cada vez mais sozinha.
Achei ótima uma propraganda nova do Boticário, que promove o seu produto justamente parabenizando a mulher por suas conquistas, mas chamando a atenção para ela resgatar um pouco do seu tempo para se cuidar.

Numa visão utópica de reforma na sociedade, para mim, as pessoas deveriam trabalhar menos horas por dia (deveriam haver bons salários com carga horária menor!), assim haveria emprego para todos e muito menos gente estressada, podendo se dedicar aos outros papéis de sua vida que não apenas o de ser um (a) workaholic. No entanto sabemos que isso não é possível.

Quando estudamos um pouco de mitologia, vemos o quanto alguns atributos tipicamente femininos vem se perdendo e se modificando com o passar do tempo. Abaixo listei as mais famosas deusas da mitologia grega com uma pequena descrição de cada. Acho que se harmonizássemos dentro da gente um pouco de cada uma delas, nós e toda sociedade teríamos muito a se beneficiar...
Hera
É a deusa da fecundidade e da dedicação, para conservar e fortalecer toda a obra criada, esposa de Zeus, o maior deus do Olimpo. De nada adianta o esforço da criação (Zeus) se não houver proteção e dedicação à obra, para que ela " vingue". Ela representa a " mãe" de verdade, pois sabemos que para ser mãe não basta colocar um filho no mundo. Hoje em dia isto não parece ter muita importância, pois as mães delegam este cuidado para a creche ou babás.
Ártemis
É a deusa da natureza, dos animais, da lua, que governa os ciclos de fecundidade. O que ela transmite está praticamente esquecido por nossa sociedade, que é a proteção ao sagrado da natureza, ao respeito por ela. Fugimos do contato da natureza, vivemos enjaulados em selvas de pedra. Também abandonamos o respeito por nossos ciclos, pelo funcionamento da nossa saúde física e mental. Hoje em dia ninguém sabe mais sobre o seu corpo, como funciona, como ele reage a determinadas circunstâncias. Falta tempo para meditação e auto-observação. Qualquer coisa diferente que sinta a pessoa já vai no médico e quer um diagnóstico, ou vai numa farmácia e resolve tudo com um comprimido. Fácil.
Atenas
É a deusa filha de Zeus (a força criadora) e Métis (prudência), indicando uma bela metáfora - quando a criação e a prudência se unem, nasce a sabedoria (ou seja, Atenas). Ela é a protetora da verdade e da justiça. Um dos seus símbolos é a oliveira, árvore que tem capacidade de frutificar mesmo em solos áridos. Isto mostra na antiguidade o reconhecimento da mulher como fonte do saber. Infelizmente a modernidade confundiu os atributos de Atena masculinizando-a, pois não se trata do saber racional e lógico, típico do pensamento masculino. É o saber pela intuição, pela inteligência emocional, pela diplomacia, pela flexibilidade, pelo poder de abstração. Com o tempo vamos desaprendendo estes dons que nos eram praticamente inatos .
Afrodite
Já falei bastante desta deusa por aqui, mas agora vou frizar apenas o aspecto de amor sexual, que está banalizado nos nossos dias. As mulheres não tem mais tempo de se envolverem de verdade, pois não estão abertas para o amor. Por issso a queixa de estarem sempre sozinhas. Aquelas que já tem um amor muitas vezes não têm tempo de se dedicar a ele, relacham no autocuidado, provocando um desinteresse do companheiro, o que é natural. Garanto que muitas prefeririam ter um tempo maior para se arrumar, para se cuidar e estar sempre bela para o seu amor, ao invés de ficar ganhando rugas horas e horas num trabalho estressante. Infelizmente a sociedade está organizada para que só aquelas que nasceram em berço de ouro possam se dedicar a isso.
Héstia
É a deusa protetora do lar, é o fogo sagrado que está no interior de toda a casa e no íntimo de cada ser. Na mitologia romana era chamada de Vesta, de onde surgiu a palavra vestíbulo, que significa " local para o resguardo". Coisa sem ssignificado nos dias de hoje, pois não respeitamos mais a nossa privacidade. Hoje em dia muitas pessoas não conseguem ficar sozinhas consigo mesmas, e muitas vezes fazem o máximo para ficar fora de casa, pois não sabem o que fazer dentro dela. Na antigüidade não era assim. Héstia era representada pela lareira acesa no centro da casa, unindo todos que ali moram (hoje em dia substituída pela televisão...). Resgatar esta deusa dentro da mulher significa então o direito de respeitar-se como ela realmente é, e também significa deixar acesa a " chama do lar", ser aquela que faz de tudo para dar ao lar o verdadeiro sentido, que é o de um local para sermos nós mesmos.

Obras de arte neste post:
* L´odalisque - Jean-Auguste Dominique Ingres
* Jeune femme denudée sur canape (mulher jovem nua sobre o sofá) - Guillaume Seignac
* Les saisons (as estações do ano) - Alphonse Mucha