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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

As citações de Einstein

Além de ser um gênio da física e descobridor da teoria da relatividade, também ficou conhecido por ser contra governos totalitários e defensor da paz, e religioso no sentido de defender que Deus se revelava através da harmonia das leis da natureza. Muitos de seus pensamentos foram divulgados, e são de fato muito interessantes. Vou publicar alguns deles aqui. A minha favorita é a primeira, acredito muito nisto:
* "A imaginação é tudo. É a antevisão das coisas que vamos atrair para as nossas vidas."




* "Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio - e eis que a verdade se me revela."

* "O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego."
* "Viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio."


* "A ciência sem a religião é paralitica, a religião sem a ciência é cega."


* "O único homem que está isento de erros, é aquele que não arrisca acertar."

* "Os ideais que iluminaram o meu caminho são a bondade, a beleza e a verdade."


* "Se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela."

* "A felicidade não se resume na ausência de problemas, mas sim na sua capacidade de lidar com eles."

* "A liberação da energia atômica mudou tudo, menos nossa maneira de pensar."

* "Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor… Lembre-se. Se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor com ele você conquistará o mundo."


* "O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma."
* "A fama é para os homens como os cabelos, cresce depois da morte, quando já lhe é de pouca serventia."

* "A imaginação é mais importante que o conhecimento."


* "O estudo, a busca da verdade e da beleza são domínios em que nos é consentido sermos crianças por toda a vida."

* "Sem cultura moral não haverá nenhuma saída para os homens."
* "Falta de tempo é desculpa daqueles que perdem tempo por falta de métodos."

* "Poucos são aqueles que vêem com seus próprios olhos e sentem com seus próprios corações."
* " Há duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens."

Figuras que aparecem no post: Albert Einstein; Pintando os pássaros - Franz Dvorak; O Pensador - Auguste Rodin; Chef na bicicleta - Betty Whiteaker; Três Velas - Marc Chagall; A Criação de Adão - Michelangelo;

sábado, 28 de novembro de 2009

Decifra -me ou devoro-te

A esfinge era um monstro mitológico com cabeça de mulher, corpo de leão e asas de águia, figura esta que surgiu no Egito e passou também para a Grécia. Neste país, sua principal estátua ficava no templo do deus Apolo, no chamado oráculo de Delfos.
Esfinge é uma palavra do egípcio arcaico que significa apertar a garganta até sufocar. Já oráculo é uma palavra de origem greco-latina que significa profeta ou adivinho. Delfos era o local sagrado onde Apolo, o deus da luz e das profecias, era consultado por meio de sua grande sacerdotisa, Pítia, cujo nome quer dizer aquela que vence a escuridão. A esfinge era famosa por seus enigmas, e aquele que não os decifrasse era devorado por ela. Um dos mais conhecidos era esse: " o que é, o que é? de manhã anda de quatro, ao meio-dia sobre duas pernas, e pela tarde, com três pernas?" Naturalmente referia-se ao homem, que quando criança engatinha, quando adulto anda sobre duas pernas e na velhice necessita de uma bengala. Mas essa era apenas uma charada, pois o homem é muito mais do que isso. Mas ... quem somos, de onde viemos e para onde vamos? Esses eram os grandes questionamentos das pessoas ao oráculo, segundo a mitologia, e até hoje temos esses questionamentos. Sentimos que há algo maior, espiritual, que habita em nós, mas não compreendemos. É por isso que a esfinge sufoca e ameaça asfixiar, quando as incertezas nos invadem e o tempo nos angustia. Quantas pessoas são sentem uma angústia no peito e a sensação de aperto na garganta, muitas vezes sem terem uma explicação física para estes sintomas? Mas a verdade é que até hoje a ciência não ajudou a decifrar o mistério de viver; nem todos os avanços e facilidades que temos deixou o ato de viver mais fácil e compreensível. Procuramos oráculos de toda espécie (religião, médicos, psicólogos ...) para não sermos devorados por essa angústia.
A estrutura da esfinge é muito simbólica. Tinha a cabeça feminina, como forma de representar a intuição. É à ela que devemos recorrer quando as incerteza batem à porta. O corpo da esfinge era o de um leão, representando a coragem que devemos ter para indagar e acolher as respostas que vamos colhendo. E, enfim, tinha asas de águia, porque o caminho do homem é para o alto, para os deuses, para a espitirualidade. Para alçar este vôo, não devemos carregar fardos desnecessários, culpas, sentimentos ruins, que são as coisas que mais estragem nossa saúde.
Fonte: Mitologia Viva - aprendendo com os deuses a arte de viver e amr. Viktor Salis
Figuras do post: (1) Esfinge de Naxos - Museu de Delfos; (2) ruínas de Delfos - Grécia e (3) Édipo e a Esfinge - Jean Auguste Dominique Ingres.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

França, um país que respira cultura

Berço de ícones das artes em toda a sua abrangência (música, pintura, escultura, literatura, cinema, arquitetura etc etc), o país é inspirador para quem quer mergulhar em cultura. A sua capital então, nem se fala. Paris tem tantos museus que resolvemos comprar um pass, que é um cartão que lhe dá direito a entrar em vários museus e monumentos por um período de 2, 4 ou 6 dias. Mas para valer à pena, você deve visitar muitos, para aproveitar ao máximo. Pode-se comprar pela internet, no site http://www.parismuseumpass.com/fr/home.php, eles mandam o pass no seu endereço.
Embora não tenhamos conseguido visitar o tanto de museus que gostaríamos, acho que valeu à pena, tanto na questão do preço como na de já poder entrar direto na atração, sem ter que esperar na bilheteria para comprar ingresso.

Aqui farei uma breve descrição da experiência que tivemos em 3 deles.
Sou louca por pintura, então os que gostei mais mesmo foram o Louvre e o Musée d´Orsay. O Louvre é magnífico, não tenho palavras. A beleza já começa no lado externo, com as esculturas do Jardin de Tuilleries à frente. Por dentro ele é imenso, então vale à pena dar uma estudada antes, para decidir o seu roteiro. Para quem gosta de antiguidade egípcia, a coleção é enorme e ocupa dois andares na ala Sully. Focamos nesta parte pois é a favorita do meu marido, e também na área de pintura francesa no 2o. andar, na de esculturas italianas no térreo da ala Denon (onde está Eros e Psique, de Antonio Canova, que foi pano de fundo para o nosso convite de casamento...) e no grande salão acima, no 1o. andar, onde estão expostos quadros enormes, de pintores franceses como Ingres, Delacroix, Gericault e David, sendo para mim o local mais belo do museu. Na ala de pintura italiana, também no 1o. andar, está não apenas a famosa Monalisa, mas também outras obras de da Vinci, de Boticelli, e Caravaggio. Vale à pena também fazer uma pausa num café localizado no 1o. andar da ala Richelieu, bem simpático, com um belo terraço e profiteroles maravilhosos. Ficamos 4 horas no Louvre, vimos muita coisa, batemos muitas fotos (é permitido), mas gostaria de poder ter tido mais tempo para admirar as obras que mais me emocionam, e não apenas passar por elas e pegar uma foto. Mas fazer o quê? Foi a primeira vez, quem sabe numa próxima vez será menos corrido.

O Museu d´Orsay já é bem menor, mas não menos belo. Para quem gosta de impressionismo, este é o local. Muitas obras de Monet, Manet, Renoir, Degas e Van Gogh. Há uma área de arte decorativa muito interssante com peças de Art Nouveau, escola que também adoro. O site deste museu é muito bom, você pode entrar em cada sala e ver quais pinturas estão lá, e aí então pode organizar um " plano de visita", para ganhar tempo.
Também destaco em Paris o Museu de l´Armée, que fica no Hotel des Invalides. Não sou muito fã de coisas relacionadas a guerras e tal, mas para quem gosta, há uma coleção enorme de armaduras medievais, e também uma grande ala relacionada às duas guerras mundiais.

A Provence, outra região da França que visitamos, também é rica em atividades culturais. Gostei muito de ter visitado o antigo hospício onde morou Van Gogh, em Saint Remy, e poder observar os arredores deste local que tanto o inspirou, com seu sol brilhante, suas oliveiras, seus ciprestes, sua noite estrelada. E logo em frente, no outro lado da estrada, estão as ruínas romanas de Glanum, um antigo assentamento que demonstra a ocupação romana da região.
Também destaco o Museu de la Castre em Cannes, que tem coleções de objetos medievais e da antiguidade de vários continentes (e tem uma vista linda sobre a cidade, pois fica num antigo chateau - castelo - no topo da cidade antiga) e o Museu Oceanográfico de Monaco, principalmente pelos seus vários e enormes aquários.
A citadela medieval de St Paul de Vence, próximo de Nice, me chamou muito a atenção pela quantidade de galerias de arte com obras de muito bom gosto e talento. Não é uma delícia caminhar por ruazinhas medievais e a cada lojinha observar os talentos locais? Quem já visitou Paraty aqui no Brasil sabe do que estou falando: um lugar histórico que respira arte por todos os cantos.
Quando viaja-se, também é interessante pesquisar na internet sobre possíveis eventos que estarão acontecendo no período em que você estará lá. Desta maneira descobri uma festa típica que ocorreu em Arles, como descrevi no post Ah...Provence!, que tivemos a oportunidade de participar. Assim você mergulha de verdade na cultura local, o que é muito divertido!

Ah... Provence!

A Provence ... outra região no mundo que sempre aflorou no meu imaginário, que virou um sonho real. Já me identifico com esta região há muito tempo, bem antes dela virar moda no mundo após a publicação de livros como Um ano na Provence, do inglês Peter Mayle (que inspirou o filme Um Bom Ano, com Russel Crowe e Marion Cotillard). Sempre me encantaram aquelas casinhas de pedra terracota com as janelas coloridas, os campos de lavanda e as perfumadas ervas, os ciprestes, as vinhas, as ruelas de cidades medievais, as lojinhas de quincailleries. Sempre me encantou como esta região atraiu tantos artistas, como Van Gogh, Picasso, Renoir e Matisse. Algo de muito especial parecia haver por lá.
Estive lá agora, em setembro, viajando de carro pela região (maneira mais adequada de conhecê-la, e não se esqueça do GPS!) de Avignon até Mônaco. Infelizmente não pude presenciar os campos de lavanda e girassol floridos, isso você conseguirá no início do verão. Mesmo assim, a região é perfumada pelas ervas de provence como o alecrim e a sálvia (que ficam enormes!), mas não só isso, seus eucaliptos, pinheiros e figueiras são muitos mais perfumados do que os daqui, não sei porquê, e olha que tenho uma figueira em casa. Já em setembro, você terá a sorte de ver as parreiras carregadas de uvas, coisa mais linda. A culinária da Provence é um capítulo à parte; algumas experiências já descrevi no post " Experiência gastronômica na França".
Nosso passeio começou por Avignon, na região do Vaucluse, sendo que nosso hotel era na beira do rio Rhone, com vista para o majestoso Palais des Papes (o qual foi a moradia dos papas de 1305 a 1378, devido à uma crise em Roma). Além da visita desta cidade, pudemos conhecer, nos arredores, a Pont du Gard, um gigantesco aqueduto construído no século I a.C.. Também por ali está Arles, cidade que abriga outra evidência da dominação da região pela Roma Antiga: a arena de Arles. No dia em que fomos, a cidade toda estava em festa, a Feria du Riz (Festa do Arroz), que incluía feira de gastronomia da Camargue (região da França que equivaleria ao country americano), feira de cavalos e ... touradas. Assistimos a uma tourada, foi horrível, não tinha idéia de como maltratam os touros. Valeu pela experiência de ver aquela arena romana cheia de gente, estar num lugar que tem tanta história. Só para esclarecer, é que a região de Arles (Bouches du Rhone) tem influência espanhola, por isso a tourada, e também a presença da galera fazendo paella pelos cantos da cidade. Nesta feira pudemos comprar azeite e mel da Provence (que são incríveis) por ótimo preço. Também nos arredores de Avignon visitamos o antigo " hospício" Mausoleum St Paul, em St Remy de Provence, onde Van Gogh morou após ter cortado a própria orelha quando morava em Arles. Lá ele pintou muitos de seus famosos quadros, como Noite Estrelada. Muito próximo de St Remy fica Les Baux de Provence, uma citadela medieval que fica no alto de uma montanha enorme. Muito linda pela vista, pelas ruínas e também pelas inúmeras lojinhas de artigos da Provence. Aqui você encontrará tudo o que representa a região: ervas de Provence, saches de lavanda (lavandins), savon de Marseille (sabonetes), santons (bonecos típicos), artigos feitos com tecido da Provence (que é muito característico, bem colorido), azeites, vinhos e também uma loja maravilhosa com artigos medievais, se você gosta. Esta primeira parte da viagem foi a mais provençal da nossa aventura, eu diria, pelas estradas contornadas por vinhedos e oliveiras, pelos ciprestes, pelas casinhas bem características (se O Segredo é verdade, me escuta: eu quero uma igual!!!). Depois, seguimos em direção à região do Var, que é a Provence em contato com o mediterrâneo. Aqui as características descritas se mantêm, mas associadas também às questões do mar, dos pescadores, da culinária rica em frutos do mar, dos passeios de barco, do mergulho. ... e do vinho rosé, sendo uma das mais importantes do mundo na produção deste vinho.
Recomendo muito a cidade de Cassis (que na verdade pertence a região de Bouches du Rhone), próxima à Marseille. A cidade é um porto muito charmoso, com seus diversos restaurantes, rodeada por montanhas, com praias de água cristalina, de onde pegamos um barco para conhecer as famosas Calanques, que são enormes falésias em meio a um mar azul-violeta. Já o mergulho (scuba) fizemos na Île de Porquerolles, um dos melhores pontos da região do Var, em um naufrágio recente (10 anos) chamado de Cimentier.
Quando estávamos indo ao nosso último destino na côte d´Azur (Antibes- Juan les Pins), pegamos um temporal horrível (coisa pouco comum lá, fazer o quê), numa estradinha de montanha minúscula e sem acostamento (várias delas assim, nas pequenas cidades), de modo que tivemos que abortar nossa visita em St Tropez e ir direto a Antibes. Vou ter que voltar lá, hehe.



A Côte d´Azur também é inesquecível, e faz jus ao nome, com seu mar incrivelmente azul. E não só de balneários glamurosos é feita a região. Também muito próximo ao litoral, diversas citadelas em topo de montanha. Chamo a atenção para as seguintes: Biot (onde estão os artesãos do vidro, e onde os cavaleiros templários habitaram na Idade Média), Mougins (uma gracinha, com casinhas típicas), Saint Paul de Vence e Èze (ambas muuiito charmosas, e repletas de ateliês de arte, de ficar com o queixo - e bolso - caído pelas belezas).
Em Èze, você tem ainda um panorama incrível do mar, seja pela estrada que leva até lá, seja pelo Jardin Exotique, um jardim com cactus e esculturas. Em Nice, a Provence já se mescla fortemente com a cultura italiana, fazendo de Nice um outro jeito de ser, com sua culinária típica, o colorido de suas construções que lindamente contrasta com um mar turquesa. Grasse, a capital do perfume, onde na ficção foi descoberto o perfume perfeito pelo assassino Grenouille em O Perfume, de Patrick Suskind, também possui moradas coloridas à italiana. E as compras nas perfumarias da cidade, entre elas a mais antiga, Fragonard, ficam inevitáveis. Em La Turbie, a cidade mas alta que visitamos, o panorama da estradinha que leva até lá (vindo de Mônaco) é inesquecível, mas não pode ter medo de altura. Lá está o Trophée des Alpes, um monumento romano construído por Júlio César para comemorar a conquista da região.



Em Mônaco, não deixe de visitar o Museu Oceanográfico, com seus lindos aquários.


Ah ... carrego dentro de mim tudo de mágico que senti por lá para incorporar na minha vida por aqui.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Eros e Psiquê

Eros era o deus grego do amor, filho de Afrodite, deusa do amor, chamado de Cupido pelos romanos. Psiquê era uma belíssima mortal, filha de um rei na Grécia antiga, por quem Eros se apaixonou.
Gosto muito do sentido metafísico que Hesíodo dá, em sua obra Teogonia, a estes personagens. Para ele, Eros (Amor) é o princípio motor cósmico que tudo une e atrai - dos astros e planetas até os seres vivos. Linda definição para uma época em que pouco conhecimento tinha-se de física. Já Psiquê, para Hesíodo, é o princípio que anima a matéria formando os humanos, e nas linguas latinas derivam de anima (alma em português). Também lindo, não?

Já Homero, em Ilíada e Odisséia, narra este amor de forma mais concreta e mais simples, que vou descrever abaixo de forma resumida.
Era uma vez um rei que tinha três filhas, sendo que uma delas era muito, mas muito bonita, mais linda que a deusa do amor Afrodite. Os templos desta andavam vazios porque todos passaram a cultuar aquela princesa maravilhosa, chamada de Psiquê. Apesar de tanta beleza, a princesa não conseguia se casar, todos tinham medo, pois uma união com alguém tão belo só traria decepções.
Seu pai preocupado foi ao Oráculo de Delfos para pedir um conselho, e ficou horrorizado quando Pítia, a sacerdotiza de Apolo, orientou que abandonasse Psiquê num rochedo próximo e que um monstro iria buscá-la. Assim o fez.
Afrodite, muito irritada por ter sido " desbancada" em sua beleza, exigiu que seu filho Eros fosse até o rochedo e lançasse as suas flechas, doces, amargas, cruéis e tantas outras, pois assim é o amor, todas sobre Psiquê, para fazê-la sofrer. Quando Eros estava prestes a executar a ordem da sua mãe, viu Psiquê de relance e ficou abismado com sua beleza, e acabou sendo descuidado com as suas flechas, atingindo a si mesmo com uma delas. E o feitiço virou contra o feiticeiro, ele se apaixonou por Psiquê.
Psiquê sentia-se muito sozinha e triste, chorava, esperando que o tal monstro aparessesse. Mas Eros já tinha ordenado que a levassem a seu palácio, de forma que ela foi envolta por uma brisa suave que a levou flutuando até um vale cheio de flores, onde havia um palácio maravilhoso, com pilares de ouro, paredes de prata e chão de pedras preciosas.
Foi tratada como uma rainha. E a solidão terminou à noite, na escuridão, quando o marido chegou. E a presença dele era tão deliciosa que Psiquê, embora não o visse, tinha certeza de que não se tratava de nenhum monstro horroroso. E este amor se repetia noite após noite, sem que ela visse o rosto do seu amante. Sua curiosidade aumentava a cada dia, e acabou sendo influenciada pelas suas irmãs, que a invejavam, a espiar a figura do amante enquanto este dormia. Foi o que fez, mas acabou aproximando demais o lampião de Eros derramando óleo sobre o mesmo, que assim despertou. Psiquê viu a figura masculina mais bonita que havia existido. Mas Eros ficou muito decepcionado, dizendo que não há amor onde não há confiança. " Quiseste ver o amor mas ele não pode ser visto. Você deveria saber que o amor sempre parte quando conhecido".
Psiquê ficou desesperada e resolveu empregar todas as suas forças para recuperar o amor de Eros, que a essa altura estava na casa da mãe. Ela passava o tempo todo pedindo aos deuses para acalmar a fúria de Afrodite, sem obter resultado. Resolveu então se oferecer à sogra como serva, dizendo que faria qualquer coisa por Eros.
Ao ouvir isso, Afrodite gargalhou e respondeu que, para recuperar o amor dele, teria que passar por uma prova. Em seguida, pegou uma grande quantidade de trigo, milho, papoula e muitos outros grãos e misturou. Até o fim do dia, Psiquê teria que separar tudo aquilo. Era impossível e ela já estava convencida de seu fracasso quando centenas de formigas resolveram ajudá-la e fizeram todo o trabalho.
Surpresa e nervosa por ver aquela tarefa cumprida, a deusa fez um pedido ainda mais difícil: queria que Psiquê trouxesse um pouco de lã de ouro de umas ovelhas ferozes. Percebendo que ia ser trucidada, ela já estava pensando em se afogar no rio quando foi aconselhada por um bambu a esperar o sol se pôr e as ovelhas partirem para recolher a lã que ficasse presa nos arbustos. Deu certo, mas no dia seguinte uma nova missão a esperava. Agora Psiquê teria que recolher em um jarro de cristal um pouco da água negra que saía de uma nascente que ficava no alto de uns penhascos. Com o jarro na mão, ela foi caminhando em direção aos rochedos, mas logo se deu conta de que escalar aquilo seria o seu fim. Mais uma vez, conseguiu uma ajuda inesperada: uma águia apareceu, tirou o jarro de suas mãos e logo voltou com ele bem cheio de água negra.
Acontece que a pior tarefa ainda estava por vir. Afrodite dessa vez pediu a Psiquê que fosse até o inferno e trouxesse para ela uma caixa com parte da beleza imortal de Persefone, a rainha infernal. Desta vez, uma torre lhe deu orientações de como deveria agir, e, assim, ela conseguiu trazer a encomenda.
Tudo já estava próximo do fim quando veio a tentação de pegar um pouco da beleza imortal para tornar-se mais encantadora para Eros. Ela abriu a caixa e dali saiu um sono profundo, que em poucos segundos a fez tombar adormecida.
A história acabaria assim se o amor não fosse correspondido. Por sorte Eros também estava apaixonado e desesperado. Ele tinha ido pedir a Zeus, o deus dos deuses, que fizesse sua mãe parar com aquilo para que eles pudessem ficar juntos.
Zeus então reuniu a assembléia dos deuses (que incluía Afrodite) e anunciou que Eros e Psiquê iriam se casar no Olimpo e ela se tornaria uma deusa. Afrodite aceitou porque, percebendo que a nora iria viver no céu, ocupada com o marido e os filhos, os homens voltariam a cultuá-la. E os fez jurar: " jura, jura que nada farás nem dirás em tua vida que não seja em nome de Eros (o amor verdadeiro)".
Eros e Psiquê tiveram uma filha chamada Volúpia e viveram felizes para sempre.

As obras de arte acima, sobre Eros e Psiquê, são autoria de, na ordem: Antonio Canova (esta inclusive serviu de inspiração para o meu convite de casamento), William Adolphe Bouguereau e François Boucher.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Despertando Afrodite em sua vida


O culto à Afrodite estava, na antiguidade, relacionado às fartas colheitas e ao crescimento dos rebanhos, e, especialmente, à perpetuação da espécie. Suas festas eram celebradas por toda a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto, e contavam com uso de substâncias conhecidas como afrodisíacas. São comidas, bebidas e magias que estimulam a libido e fazem crescer o desejo amoroso em prol da fertilidade. Com o passar do tempo, e com a transformação da sociedade matriarcal pela patriarcal, Afrodite passou a ser vista como uma Deusa frívola e promíscua, como resultado de sua sexualidade liberal. Parte dessa condenação a seu comportamento veio do medo humano frente à natureza incontrolável dos aspectos regidos pela Deusa do Amor.
O dia da semana dedicado à deusa do amor é a sexta-feira, em latim, veneris dies, ou seja, o dia de Vênus. Na nomenclatura pagã, cada dia era dedicado a um astro ou a um deus, que variava de acordo com a mitologia local de cada cultura e que foi conservado em outros idiomas. Vários idiomas que foram originados do latim mantêm esta raiz, como o francês (vendredi), o italiano (venerdi) e o espanhol (viernes). Já nos idiomas de origem germânica, alguns também mantiveram a sexta-feira como o símbolo da deusa do amor, pois Friday (inglês), Freitag (alemão) e Fredag (nórdicos) derivam de Freya ou Frige, que seriam nomes para a deusa do amor nestes povos.
Não sou de fazer rituais mirabolantes do tipo " conquiste a pessoa amada em 10 dias". Porém, esta coisa dos dias da semana acho interessante, afinal, é algo tão antigo, tão arraigado nas culturas, que já nem sabemos o porquê deles e acho legal resgatar. Então gosto, nas sextas-feiras, na hora do banho, de acender uma vela e um incenso, e imaginar o poder desta deusa, amorosa, bela, saudável, radiante, na minha pessoa. Aliás, sexta-feira é o meu dia da semana preferido (e para muita gente também!!), pois no sábado dá pra acordar mais tarde, e aí na sexta a gente dispende mais tempo se arrumando, sai para jantar fora, toma um vinhozinho...
Mas independente de símbolos, acho que despertar Afrodite significar estar com os sentidos bem aguçados, percebendo a beleza nas pequenas coisas; é estar com o sorriso sincero no rosto, é rir de bobeira; é enfim estar apaixonada pela vida e ter esta atitude radiante para qualquer coisa.
figura: Vênus de Milo, escultura helênica de autor desconhecido

domingo, 28 de junho de 2009

Sobre Afrodite


Afrodite, ou Vênus para os romanos, é a deusa grega do amor e da beleza. De acordo com Hesíodo, Afrodite nasceu quando Urano (pai dos titãs) foi castrado por seu filho Cronos, que atirou seus testículos ao mar, que começou a ferver e a espumar. De aphros ("espuma do mar"), a força fecundante produziu a paixão incomensurável, que não pertence a ninguém. Afrodite é de uma geração mais antiga que a maioria dos outros deuses olímpicos, fiel à sua natureza de espargir o amor e a paixão por toda a face da Terra. Por onde passava a terra se renovava, os animais se reproduziam, as flores cresciam, os deuses ficavam hipnotizados. Na Grécia antiga, o culto à Afrodite não conhece limites, isto porquê a arte de amar ocupava um lugar central, sendo inclusive parte fundamental na educação dos jovens. A arte de amar era vista como o elixir da vida, e não se restringia ao sexo, mas significava amar o mundo, as pessoas, enfim, tudo o que é vivo. Hipócrates, o pai da medicina, dizia que " quem não ama, adoece" e que " a mais grave fonte da doença é ser falso em seus sentimentos com os outros e consigo". Seus símbolos incluem a rosa vermelha, a mirta, o mar, o golfinho, as conchas, a pomba, o pardal, o cisne, a romã, a maçã e a limeira. Entre seus protegidos estão os marinheiros e artesãos. Afrodite tem atributos comuns com as deusas Freya (nórdica), Ishtar/Astarte (mesopotâmica/babilônica) e com a Deusa ou Grande Mãe neolítica (símbolo de fertilidade).

Fontes: Mitologia Viva - Aprendendo com os deuses a arte de viver e amar (Viktor D. Salis); Wikipedia
Pintura: O Nascimento de Vênus - William-Adolphe Bouguereau