O Dunga que a mídia não mostra:
domingo, 4 de julho de 2010
O Brasil perde uma chance de aprender um pouco mais sobre caráter
O Dunga que a mídia não mostra:
terça-feira, 22 de junho de 2010
Cala a boca Tadeu Schmidt
Mas no caso que envolveu o atrito entre o Dunga, técnico da seleção brasileira, e a imprensa, na Copa do Mundo de 2010, não poderia deixar de me manifestar.
Desculpem-me aqueles que exercem a sua profissão com integridade, não quero generalizar; mas o meio jornalístico e a imprensa muitas vezes me incomodam . Me incomodam pois eles, com todo o seu poder (que acredito ser até maior que o dos políticos), ditam as regras, como as coisas devem ser, como as pessoas devem pensar, que coisas as pessoas devem saber. Não gosto disto. É uma ditadura disfarçada. E muitos ainda agem de má fé, atuando como se fossem um tribunal, expondo e colocando pessoas ao julgamento do povo, pessoas que muitas vezes são até inocentes em suas acusações.

Imagine você no seu trabalho, seja lá qual ele for, e se a televisão, que não entende nada do que você faz, viesse e ficasse o dia inteiro fazendo pressão, dando pitaco de como você deve fazer o seu trabalho. Isso não é irritante??
Ora, já não chega eles no passado terem tachado a " Era Dunga" como fracassada, terem agora influenciado milhões de brasileiros a chamar o Dunga de burro e mal-amado, agora vão tomar as dores do jornalista em questão, sendo que nem foi uma briga tão feia assim (tanto que a FIFA nem fará nenhuma punição). Em vez de destacarem a vitória da seleção e os outros jogos da Copa, eles evidenciaram esta discussão como a coisa mais importante. Foi ridículo. Além da pressão que está sofrendo no momento, o treinador também está passando por problemas pessoais com o pai dele doente; é normal a pessoa ficar mais sensível e irritável. Mas isso a televisão não (quer) vê. Eles editam de uma forma a expor a pessoa e impor a opinião deles, como se fossem donos da razão.
De qualquer forma, não quero apenas criticar. Hoje, no Jornal do Almoço da RBS-SC (afiliada da Globo) apareceu uma reportagem do Cacau Menezes entrevistando 2 amigos de infância do Dunga. Foi excelente para mostrar esse outro lado, mostrar um outro entendimento do que aconteceu. Não apenas o chilique que o Tadeu Schmidt teve no Fantástico.
Para quem quiser saber mais da relação conflituosa entre Dunga e a imprensa, vale a pena ler esta entrevista publicada no Terra http://borgesluciano.blog.terra.com.br/2010/06/21/ha-dois-anos-dunga-anunciava-area-de-desconforto-com-a-globo/ Nela podemos ver como as coisas funcionam. Jornalistas de determinadas emissoras querem ter privilégios na concessão de entrevistas, no acesso à Seleção. Dunga recusou-se. Para ele todos teriam acesso de forma igual, e de forma que não atrapalhasse a concentração dos jogadores. Tudo muito diferente do oba-oba da Copa de 2006. Isso mexeu com os brios de algumas emissoras.
Não sei se o Brasil vai levar esta Copa. Também não sou fanática por futebol. Mas agora, depois de entender melhor o porquê de o Dunga agir desta maneira, estou torcendo muito para que o Brasil ganhe. Gosto do jeito que ele trabalha, com disciplina, organização, valorizando jogadores dedicados e não apenas as estrelinhas do momento . E jornalismo, só se for de qualidade. Não vou ficar dando ibope pra quem não merece.
ps.: se alguém achar que fui tendenciosa como a imprensa neste texto, não tenha dúvida que usei alguns de seus artifícios: coloquei apenas imagens do Dunga sorrindo, para mostrar que ele também sabe sorrir.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Um estaleiro ameaça a paradisíaca Florianópolis
“Um pedacinho de terra,perdido no mar...
Num pedacinho de terra,
beleza sem par...
Jamais a natureza,
reuniu tanta beleza
jamais algum poeta
teve tanto pra contar..."
Praia de Ganchos - Governador Celso Ramos
Biguaçu - o terreno onde será construído o estaleiro também fica próximo a uma reserva indígena Guarani
Localização do Estaleiro em Biguaçu (pequena área cinza) - intimamente próximo a reservas ambientais no município de Governador Celso Ramos e o norte da ilha de Florianópolis
Você que investiu tanto numa residência ou na rede hoteleira em Jurerê, ou como o tenista Guga, em Governador Celso Ramos, o que lhe parece esta paisagem??
Mesmo assim, fico apreensiva com o futuro desta discussão. A notícia tem pouco destaque nas mídias convencionais - mais uma vez, aqueles que deveriam ter a obrigação de manter a população corretamente informada. Provavelmente esta negligência tem a ver com o poder do dinheiro. Sabemos infelizmente que a fortuna deste Sr. Eike Batista (é o 8o. homem mais rico do mundo), é o mais decisivo nestas questões. E infelizmente também sabemos que tudo no nosso Brasil funciona assim: "molha a mão" do sujeito que você consegue o que quer. E assim devem estar pensando os políticos de Biguaçu e do governo de SC (que inclusive aceitaram este projeto vendendo a área por valor inferior ao de mercado). Pesquisando na internet, vemos a relação de Eike com a política, tendo ele financiado campanhas políticas que lhe beneficiaram em seus projetos http://pt.wikipedia.org/wiki/Eike_Batista.
Ostras contaminadas por óleo: sendo Florianópolis e Grande Florianópolis as principais produtoras do país, o que sobrará para a maricultura??
Na contra-partida, os defensores do projeto alegam que serão gerados 4 mil empregos diretos e 12 mil indiretos. Não vou nem citar aqui o que o impacto destes milhares de trabalhadores trará a uma cidadezinha como Biguaçu em termos de moradia, saneamento básico, transporte, segurança e saúde (já que a cidade não possui nem rede de tratamento de esgoto e recebe água potável dos municípios vizinhos). O que quero dizer é que empregos podem vir de outras formas. Não é justo que, para se gerar alguns milhares de empregos, outros milhares (setor turismo, setor imobiliário, setor de pesca e maricultura, etc) sejam destruídos. Mas mais importante de qualquer emprego é a natureza que ali se encontra, este milagre que temos tão perto de nós, que uma vez destruída, não tem mais volta. Será que nós, homens, que estamos há tão pouco tempo neste planeta, temos o direito de destruir tudo de acordo com os nosso interesses? Não devemos esquecer que o dinheiro fica, o nosso corpo e os nosso interesses se vão com a morte, mas o mundo vai ficar aí, vai ser o lugar que deixaremos para nosso filhos e netos. Por isso não me venham com essa de emprego, é essa a idéa que estes milionários querem passar: "você aceita uma merreca de salário (ou de propina) e fica feliz pois comprou o seu i-pod, enquanto eu enriqueço às suas custas e à sua burrice". E nesta ilusão todos nós, inclusive os moradores da vizinha ambiciosa Biguaçu, vamos perder esta natureza maravilhosa que não há dinheiro que compre. Cego de quem mora por aqui e não sabe valorizar a preciosidade que tem.
Praia do Forte em Florianópolis - em vez desta tranquila paisagem, navios petroleiros irão compor o visual...
sexta-feira, 9 de abril de 2010
200 anos do nascimento de Fréderic Chopin em 2010 - Noturno no. 19
imagem: Duas meninas ao piano - Pierre-Auguste Renoir
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Show de Beyoncé em Florianópolis: uma diva
Ontem, dia 04 de fevereiro de 2010, eu e mais cerca de 25 mil pessoas assistimos ao 1o. show no Brasil da cantora americana Beyoncé. Ignorando o fato da ilha não ter infra-estrutura para este tipo de evento (devido ao sistema viário), o show foi espetacular.
Ocorreu no Parque Planeta, onde são realizadas as edições anuais do festival de música Planeta Atlântida. Também não achei um bom local, pois muita gente ficou longe do palco; o ideal seria mesmo um estádio, mas as agendas dos mesmos estão lotadas com os campeonatos estaduais de futebol. Eu fiquei na pista VIP, que era mais próxima ao palco, então pude vê-la mais de perto.
Comecei a conhecer o trabalho dela na época do CD Dangerously in Love (2003), porém tinha um pouco de resistência a escutar o seu trabalho, pois gostava muito de Mariah Carey e parecia que a nova cantora estava ocupando seu lugar. Mas assiti o videoclipe de Baby Boy e me impressionei muito. Achei a música muito sensual, e o jeito que ela dançava, espetacular. A canção utilizava perfeitamente a sensualidade sem ser vulgar. Quando eu escutava a música só pensava em dançar como ela, em deixar a sensualidade aflorar- um poder que muitas mulheres têm e nem sabem. Na época pensei : meu deus, esta moça vai longe, o sucesso dela será muito maior do que é agora. E dito e feito. A mulher é uma DIVA. Além de linda, é muito talentosa, tem um vozeirão e muita sensualidade ao dançar, além do seu carisma. Nasceu para isso. No telão, durante o show, apareciam imagens dela quando criança, mostrando que já gostava de cantar e dançar. Fico feliz que este talento que ela já apresentava pôde ser desenvolvido; com certeza devem ter havido pessoas que acreditaram no seu potencial e lhe ajudaram, trilhando o caminho desta conquista. Falo disto (talentos) em um post antigo meu: http://moradadevenus.blogspot.com/2009/07/um-presente-de-deus.html . Fico sempre imaginando quantas pessoas poderiam chegar à perfeição que ela conquistou, mas não tiveram estímulos ou fizeram escolhas erradas.
Bom, os últimos sucessos dela não trazem apenas esta conotação sensual como no primeiro CD, mas também letras que traduzem e acolhem os sentimentos femininos, principalmente em relação aos relacionamentos afetivos, levantando auto-estima das mulheres. A letra de Irreplaceable fala de uma mulher que coloca o namorado para fora de casa após uma traição, deixando o rapaz literalmente "com uma mão na frente e outra atrás", pois tudo o que ele possuía foi ela que comprou (e não é que vemos isso por aí: a mulherada bancando os homens?...). Já na letra de If I were a boy, a cantora se coloca no lugar dos homens para mostrar como se comportam em relação às suas esposas ou namoradas: se uma amiga de trabalho "dá em cima" dele e ele" dá trela", é a namorada que é ciumenta; se vai a um happy hour com os amigos, não avisa e ainda desliga o celular; faz tudo do jeito dele pois é muito autoconfiante e sabe que ela vai ser fiel. Não é à toa que Beyoncé tem uma legião de fãs que vai desde adolescentes, principalmente, mas também mulheres mais velhas. Em Single Ladies, ela convida as solteiras à dançar e esnobar seus ex-pretendentes: " se você está gostando, então deveria ter posto um anel aqui (no meu dedo)". sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Boemia
Boemia é a prática de um estilo de vida não-convencional, geralmente vivido por pessoas envolvidas com objetivos ligados à música, arte ou literatura. Muitos boêmios foram e são artistas, ou aventureiros, que viviam de forma alegre geralmente à noite.É um fenômeno social e literário que aconteceu em diversos pontos do planeta e em diferentes épocas. Aparentemente, o termo boêmio surgiu no meio literário francês no século XVII, para caracterizar estrangeiros, ciganos, que tinham um estilo de vida às margens da sociedade da época, que se pensava virem da Boêmia (região da República Tcheca), usado de forma pejorativa.
Mas foi no auge do romantismo francês do século XIX que o termo se popularizou, através de escritores como Balzac, e pela coleção de estórias de Henri Murger, Cenas da Vida Boêmia, publicada em 1845, escrita para glorificar e legitimizar a Boemia. Algumas óperas famosas que buscavam retratar a realidade social da época utilizaram esta temática, como Carmen de Bizet e La Bohème de Puccini, esta última com libreto inspirado nestes contos de Henry Murger. O termo irradiou-se pelos bairros franceses do Quartier Latin, Montmartre e Montparnasse, bairros conhecidos por abrigar estudantes, filósofos, escritores, artistas, sonhadores que se reuniam nos seus cafés para trocar as suas idéias, vivendo de forma livre e excêntrica, procurando romper, através da arte, com as forças mercadológicas que estavam surgindo com a ascensão da burguesia. Foi um momento rico, artística e emocionalmente, levantado por estes excêntricos que acreditavam em um mundo mais simples e mais belo. Dentre eles podemos citar os pintores Amedeo Modigliani, Henry de Toulouse-Latrec, Edgar Degas, Van Gogh, Pablo Picasso e os escritores Jean Paul Sartre, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald.
No Brasil, também tivemos uma boemia ativa como movimento no Rio de Janeiro do século XIX, representada pelos escritores Aluísio de Azevedo, Olavo Bilac e Coelho Neto, por exemplo. Enfim, o termo boêmio descreve uma pessoa, não importa a sua procedência, que viva da arte de uma forma não convencional, muitas vezes abrindo mão de recursos financeiro. Nos dias de hoje o termo perdeu o seu sentido original daquele que busca uma ruptura com o sistema através da arte, para caracterizar aquela pessoa que só vive nos bares, que não faz nada de produtivo, aqueles que chamamos de vagabundos. É uma pena esta distorção. De qualquer maneira, tenho certeza de que muitas pessoas gostariam de poder se dedicar à sua arte, seja música, literatura, pintura, mas acabam abrindo mão destes sonhos pelas exigências da sociedade capitalista. Deixo o vídeo da música La Bohème, de Charles Aznavour, que traduz todo o sentimento saudosista da boemia do Montmartre, além de linda imagens deste bairro. Coloquei a letra e a tradução. O assunto continua no próximo post.
As obras de arte neste post são (1) O Moinho da Galette - Pierre Auguste Renoir; (2) No Moulin Rouge - Henri de Toulous-Latrec e (3) Mulher Bonita - amedeo Modigliani.
A boemia, a boemia, queria dizer nós somos felizes
Nos cafés vizinhos nós éramos alguns que esperávamos a glória
A boemia, a boemia, isso quer dizer, você é bela
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
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sábado, 28 de novembro de 2009
Decifra -me ou devoro-te
A esfinge era um monstro mitológico com cabeça de mulher, corpo de leão e asas de águia, figura esta que surgiu no Egito e passou também para a Grécia. Neste país, sua principal estátua ficava no templo do deus Apolo, no chamado oráculo de Delfos.
Delfos era o local sagrado onde Apolo, o deus da luz e das profecias, era consultado por meio de sua grande sacerdotisa, Pítia, cujo nome quer dizer aquela que vence a escuridão. A esfinge era famosa por seus enigmas, e aquele que não os decifrasse era devorado por ela. Um dos mais conhecidos era esse: " o que é, o que é? de manhã anda de quatro, ao meio-dia sobre duas pernas, e pela tarde, com três pernas?" Naturalmente referia-se ao homem, que quando criança engatinha, quando adulto anda sobre duas pernas e na velhice necessita de uma bengala. Mas essa era apenas uma charada, pois o homem é muito mais do que isso. Mas ... quem somos, de onde viemos e para onde vamos?
Esses eram os grandes questionamentos das pessoas ao oráculo, segundo a mitologia, e até hoje temos esses questionamentos. Sentimos que há algo maior, espiritual, que habita em nós, mas não compreendemos. É por isso que a esfinge sufoca e ameaça asfixiar, quando as incertezas nos invadem e o tempo nos angustia. Quantas pessoas são sentem uma angústia no peito e a sensação de aperto na garganta, muitas vezes sem terem uma explicação física para estes sintomas? Mas a verdade é que até hoje a ciência não ajudou a decifrar o mistério de viver; nem todos os avanços e facilidades que temos deixou o ato de viver mais fácil e compreensível. Procuramos oráculos de toda espécie (religião, médicos, psicólogos ...) para não sermos devorados por essa angústia.A estrutura da esfinge é muito simbólica. Tinha a cabeça feminina, como forma de representar a intuição. É à ela que devemos recorrer quando as incerteza batem à porta. O corpo da esfinge era o de um leão, representando a coragem que devemos ter para indagar e acolher as respostas que vamos colhendo. E, enfim, tinha asas de águia, porque o caminho do homem é para o alto, para os deuses, para a espitirualidade. Para alçar este vôo, não devemos carregar fardos desnecessários, culpas, sentimentos ruins, que são as coisas que mais estragem nossa saúde.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Redescobrindo a essência da mulher
Há pouco tempo virei a casa dos trinta e é interessante como a mudança mexe com a gente. A beleza fresca já não é mais a mesma dos 18, obviamente, mas o conhecimento que tenho adquirido sobre mesma mim não tem preço. Estou mais decidida, e posso com mais clareza estabelecer as minhas prioridades, não perdendo tempo com bobagens. Observando estas mudanças em mim e também nas mulheres que atendo como médica da família, posso concluir que o sexo feminino está sofrendo de uma crise de identidade. Pros psiquiatras e pra indústria de anti-depressivos isso é bom, no entanto, são os únicos a lucrar com isso. A sociedade é que perde. Me explico. A conquista do mercado de trabalho pela mulher e sua consequente independência financeira é um marco histórico e de grande valor, não há como negar, agradecemos àquelas que abriram este caminho. Mas onde está o espaço para a mulher namorada/esposa, dona de casa, mãe, mulher prendada, etc etc? Às vezes a mulher mergulha de tal forma numa rotina frenética de trabalhar e trabalhar, que o seu casamento não dura, que ela delega a educação de seus filhos a terceiros cujas consequências já conhecemos, sua casa está de pernas pro ar, não aprende coisas novas, sua saúde em frangalhos, não tem tempo para se cuidar. Isso quando ela consegue constituir uma família, pois muitas vezes vai vendo o tempo passar , envelhecendo e ficando cada vez mais sozinha.
Achei ótima uma propraganda nova do Boticário, que promove o seu produto justamente parabenizando a mulher por suas conquistas, mas chamando a atenção para ela resgatar um pouco do seu tempo para se cuidar.Numa visão utópica de reforma na sociedade, para mim, as pessoas deveriam trabalhar menos horas por dia (deveriam haver bons salários com carga horária menor!), assim haveria emprego para todos e muito menos gente estressada, podendo se dedicar aos outros papéis de sua vida que não apenas o de ser um (a) workaholic. No entanto sabemos que isso não é possível.
Quando estudamos um pouco de mitologia, vemos o quanto alguns atributos tipicamente femininos vem se perdendo e se modificando com o passar do tempo. Abaixo listei as mais famosas deusas da mitologia grega com uma pequena descrição de cada. Acho que se harmonizássemos dentro da gente um pouco de cada uma delas, nós e toda sociedade teríamos muito a se beneficiar...
HeraÉ a deusa da fecundidade e da dedicação, para conservar e fortalecer toda a obra criada, esposa de Zeus, o maior deus do Olimpo. De nada adianta o esforço da criação (Zeus) se não houver proteção e dedicação à obra, para que ela " vingue". Ela representa a " mãe" de verdade, pois sabemos que para ser mãe não basta colocar um filho no mundo. Hoje em dia isto não parece ter muita importância, pois as mães delegam este cuidado para a creche ou babás.
Ártemis
É a deusa da natureza, dos animais, da lua, que governa os ciclos de fecundidade. O que ela transmite está praticamente esquecido por nossa sociedade, que é a proteção ao sagrado da natureza, ao respeito por ela. Fugimos do contato da natureza, vivemos enjaulados em selvas de pedra. Também abandonamos o respeito por nossos ciclos, pelo funcionamento da nossa saúde física e mental. Hoje em dia ninguém sabe mais sobre o seu corpo, como funciona, como ele reage a determinadas circunstâncias. Falta tempo para meditação e auto-observação. Qualquer coisa diferente que sinta a pessoa já vai no médico e quer um diagnóstico, ou vai numa farmácia e resolve tudo com um comprimido. Fácil.
Atenas
É a deusa filha de Zeus (a força criadora) e Métis (prudência), indicando uma bela metáfora - quando a criação e a prudência se unem, nasce a sabedoria (ou seja, Atenas). Ela é a protetora da verdade e da justiça. Um dos seus símbolos é a oliveira, árvore que tem capacidade de frutificar mesmo em solos áridos. Isto mostra na antiguidade o reconhecimento da mulher como fonte do saber. Infelizmente a modernidade confundiu os atributos de Atena masculinizando-a, pois não se trata do saber racional e lógico, típico do pensamento masculino. É o saber pela intuição, pela inteligência emocional, pela diplomacia, pela flexibilidade, pelo poder de abstração. Com o tempo vamos desaprendendo estes dons que nos eram praticamente inatos .
Afrodite
Já falei bastante desta deusa por aqui, mas agora vou frizar apenas o aspecto de amor sexual, que está banalizado nos nossos dias. As mulheres não tem mais tempo de se envolverem de verdade, pois não estão abertas para o amor. Por issso a queixa de estarem sempre sozinhas. Aquelas que já tem um amor muitas vezes não têm tempo de se dedicar a ele, relacham no autocuidado, provocando um desinteresse do companheiro, o que é natural. Garanto que muitas prefeririam ter um tempo maior para se arrumar, para se cuidar e estar sempre bela para o seu amor, ao invés de ficar ganhando rugas horas e horas num trabalho estressante. Infelizmente a sociedade está organizada para que só aquelas que nasceram em berço de ouro possam se dedicar a isso.
Héstia
É a deusa protetora do lar, é o fogo sagrado que está no interior de toda a casa e no íntimo de cada ser. Na mitologia romana era chamada de Vesta, de onde surgiu a palavra vestíbulo, que significa " local para o resguardo". Coisa sem ssignificado nos dias de hoje, pois não respeitamos mais a nossa privacidade. Hoje em dia muitas pessoas não conseguem ficar sozinhas consigo mesmas, e muitas vezes fazem o máximo para ficar fora de casa, pois não sabem o que fazer dentro dela. Na antigüidade não era assim. Héstia era representada pela lareira acesa no centro da casa, unindo todos que ali moram (hoje em dia substituída pela televisão...). Resgatar esta deusa dentro da mulher significa então o direito de respeitar-se como ela realmente é, e também significa deixar acesa a " chama do lar", ser aquela que faz de tudo para dar ao lar o verdadeiro sentido, que é o de um local para sermos nós mesmos.
Obras de arte neste post:
* Jeune femme denudée sur canape (mulher jovem nua sobre o sofá) - Guillaume Seignac
* Les saisons (as estações do ano) - Alphonse Mucha
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Um presente de Deus


* Mariah Carey (cantando Against all odds, do Phil Collins, em que ela dá um agudo inacreditável):http://www.youtube.com/watch?v=JqJSYjRERE8&feature=related
sugestão de leitura: Paidéia: para formar um homem "obra de arte, ético e criador no século XXI" de Viktor D. Salis
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Como resgatar a boa educação?

terça-feira, 30 de junho de 2009
Despertando Afrodite em sua vida

O dia da semana dedicado à deusa do amor é a sexta-feira, em latim, veneris dies, ou seja, o dia de Vênus. Na nomenclatura pagã, cada dia era dedicado a um astro ou a um deus, que variava de acordo com a mitologia local de cada cultura e que foi conservado em outros idiomas. Vários idiomas que foram originados do latim mantêm esta raiz, como o francês (vendredi), o italiano (venerdi) e o espanhol (viernes). Já nos idiomas de origem germânica, alguns também mantiveram a sexta-feira como o símbolo da deusa do amor, pois Friday (inglês), Freitag (alemão) e Fredag (nórdicos) derivam de Freya ou Frige, que seriam nomes para a deusa do amor nestes povos.
Não sou de fazer rituais mirabolantes do tipo " conquiste a pessoa amada em 10 dias". Porém, esta coisa dos dias da semana acho interessante, afinal, é algo tão antigo, tão arraigado nas culturas, que já nem sabemos o porquê deles e acho legal resgatar. Então gosto, nas sextas-feiras, na hora do banho, de acender uma vela e um incenso, e imaginar o poder desta deusa, amorosa, bela, saudável, radiante, na minha pessoa. Aliás, sexta-feira é o meu dia da semana preferido (e para muita gente também!!), pois no sábado dá pra acordar mais tarde, e aí na sexta a gente dispende mais tempo se arrumando, sai para jantar fora, toma um vinhozinho...
Mas independente de símbolos, acho que despertar Afrodite significar estar com os sentidos bem aguçados, percebendo a beleza nas pequenas coisas; é estar com o sorriso sincero no rosto, é rir de bobeira; é enfim estar apaixonada pela vida e ter esta atitude radiante para qualquer coisa.

