Mostrando postagens com marcador Chopin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chopin. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010

Continuando a sequência de homenagem que tenho feito pelos 200 anos de nascimento do compositor Frédéric Chopin, deixo o vídeo da 7a. Valsa, uma das peças que mais gostava de tocar, e que era a favorita da minha avó materna (sempre me pedia para tocá-la).

Esta valsa é a segunda do op. 64, sendo que a primeira é a famosa Valsa do Minuto. Consiste em 3 temas: (1) tempo giusto, ou andamento " normal", (2) tempo rápido e (3) tempo lento. A sequência destes temas segue a seguinte ordem: 1-2-3-2-1-2. A obra foi trilha sonora de filmes como Valsa com Bashir, O Albergue Espanhol e Ao Lado da Pianista, e também do seriado Desperate Housewives.

A imagem que escolhi acima para representar o post foi desta estátua de Chopin em Varsóvia, rodeada por este lindo campo de rosas, já que também esta flor era a preferida da minha avó.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin- Estudo op.25 no. 5

Continuando as minhas homenagens ao compositor Chopin e os 200 anos de seu nascimento em 2010, hoje falarei de outro estudo.
Um estudo é uma composição musical para exercitar uma habilidade técnica específica na execução de um instrumento solo. Os estudos de Frédéric Chopin (Op. 10 -1833 e Op. 25 -1837) foram os primeiros a serem vistos como repertório de concerto (pois geralmente serviam mesmo somente para estudo), e hoje em dia são vistos antre os melhores estudos já compostos. Por exemplo, o estudo Op. 25 No. 6 enfatiza a execução de terças na mão direita, o Op. 25 No. 7 se concentra na qualidade cantante das melodias em uma textura polifônica, e Op. 25 No. 10 abrange oitavas paralelas.

Porém, os estudos que mais amplamente admirados são aqueles que transcendem sua função prática e passam a ser apreciados simplesmente pela sua musicalidade. Desta forma, os estudos de Chopin são considerados não somente tecnicamente difíceis, mas também musicalmente expressivos. Em contraste, os estudos de Czerny são geralmente vistos simplesmente como tecnicamente difíceis. Assim, os estudos de Chopin são frequentemente executados em público, enquanto os de Czerny permanecem confinados à sala de estudo.

Este estudo que postei aqui, o Op.25 no. 5, tem uma introdução em que se produz curtos e repetidos acordes dissonantes, por isso ela é conhecido pelo nome de " Nota Errada". Mas o que me impressiona nele é a parte central (ou um segundo tema), que reproduz uma melodia penetrante com a mão esquerda. Esta forma de reproduzir o estudo com " temas" também difere Chopin dos outros compositores de estudos. Provavelmente, são inspirados na estrutra das sonatas de Beethoven, que são divididas em movimentos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010- Fantasie-Impromptu

Viajante sobre o mar de neblina - Caspar David Friederich

Continuando a homenagem pelos 200 anos de nascimento de Chopin em 2010.
Esta fantasia em dó menor (vide vídeo abaixo), op.66 (póstuma), composta em 1834, é uma de suas obras mais conhecidas, e foi dedicada à Baronesa de L´Esté, e publicada pelo pianista Julian Fontana, amigo polonês de Chopin e intérprete de suas obras . Chopin pediu ao mesmo que não a publicasse enquanto ainda estivesse vivo, pois acreditava que a peça era muito parecida ao 3o. movimento da Sonata ao Luar (Beethoven) e por isso tinha vergonha. O pedido foi atendido pelo amigo.

Estudei esta peça enquanto estudante de piano. É uma obra muito difícil a meu ver, devido aos contratempos (p. exemplo, há trechos em que a mão esquerda faz 16 notas contra tercinas - 3 notas em 1 tempo- da mão direita, e nenhuma delas ocorre simultaneamente). Quando executada em velocidade, fica realmente difícil e se não for executada corretamente, pode dar um aspecto de som " sujo".

Embora seja uma das minhas música favoritas de todos os tempos, também é a que mais me trouxe decepção. Explico-me. Em 1995, fiz um intercâmbio para a Itália para estudo de piano. Ao apresentar esta peça ao professor italiano em uma aula com vários alunos, após meses de estudo, ele manda parar tudo e diz: " está tudo errado". E estava mesmo, eu não estava executando os contratempos corretamente. Mas é engraçado, há críticas que acabam com você, e esta foi uma delas. Nesse momento pensei que estava perdendo muito tempo com o piano, que para mim era apenas um hobbie e não era para se tornar algo estressante.

Mesmo assim, adoro ver alguém interpretando a obra, como recentemente fez uma menina pobre do interior nordestino que apareceu no Fantástico. Eu ainda continuo executando a parte do meio da música, que é lenta e tecnicamente mais fácil, e uma das melodias mais belas que existem, que remete a uma atmosfera delicada e sonhadora.

sábado, 8 de maio de 2010

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010 - Prelúdio no. 15 " Raindrop"

Continuando a série em homenagem aos 200 anos do nascimento de Chopin em 2010.
Os prelúdios de Chopin (Op. 28) são um conjunto de pequenas peças para piano, um para cada número de tonalidade existente (24), originalmente publicados em 1839. Inspirados nos prelúdios do Cravo bem Temperado, de Bach, por sua vez inspiraram os prelúdios de Debussy e Rachmaninov. Chopin compôs a maior parte deles na sua estada em Valdemossa, localidade próxima a Palmas de Maiorca (Espanha), onde o compositor ficou em repouso com a sua companheira George Sand por motivo de saúde (naquela época era comum que pacientes que sofriam de tuberculose procurassem balneários mais ao sul da Europa, menos frios, para se tratarem). A publicação dos prelúdios provocou rebuliço no ambiente musical da época, pois eram peças muito curtas e não seguiam regras clássicas.
Embora o termo prelúdio seja geralmente usado para descrever uma peça introdutória, os de Chopin permanecem como peças próprias, pois cada um deles transmite uma emoção ou idéia específica. É o caso deste que posto aqui. Apelidado de "Gota d´água", é o mais extenso dos 24. A melodia se dá na mão direita e, no acompanhamento da esquerda, a repetição das notas nos faz imaginar uma gota de chuva caindo sobre uma superfície de água, martelando, constante, calma, como uma chuva fraca. Já na parte do meio, a melodia se torna mais pesada, mais escura, na mão esquerda, como se a intensidade da chuva estivesse aumentando, atingindo um clímax. É muito interessante.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

200 anos do nascimento de Fréderic Chopin em 2010 - Noturno no. 19

Continuando a série de posts em homenagem aos 200 anos de nascimento de Chopin.
Recentemente, a novela Viver a Vida teve em um de seus capítulos uma cena em que alguns personagens da novela foram assistir a uma apresentação em homenagem a Chopin. Um dos personagens inclusive era um menino, que estudava piano e queria se tornar um grande músico. Fico feliz quando vejo estas manifestações nos veículos de comunicação de massa. Quando estudava piano, durante a minha infância e parte da minha adolescência, praticamente não tinha com quem conversar sobre o assunto. Aos 16 anos fiz um curto intercâmbio na Itália (devido a um convênio da minha escola de música em Porto Alegre com o Conservatório Vivaldi em Alessandria, norte da Itália). O objetivo do intercâmbio era receber aulas e participar de pequenos recitais apresentando música clássica brasileira. Foi uma experiência incrível. Porém, voltei um pouco desanimada. Percebi como os italianos estavam anos-luz na nossa frente em matéria de música clássica, pois afinal, o país é um dos berços deste estilo. Espero que cada vez mais crianças possam se interessar e estudar esta herança tão valiosa que nos foi deixada.

Continuando então a série de posts comemorando os 200 anos de nascimento de Frédéric Chopin, deixo aqui um vídeo de uma obra que executei muito na minha infância, e que foi apresentada naquele capítulo da novela Viver a Vida: Noturno no. 19, op. 72 no. 1, interpretado por Eva Brandy.



imagem: Duas meninas ao piano - Pierre-Auguste Renoir

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010: Estudo Revolucionário

O estudo opus 10 no. 12 de Chopin, também conhecido como estudo Revolucionário, é uma das obras mais famosas para piano solo,composta por volta de 1831. Faz parte da série dos 12 Grandes Estudos que o compositor fez dedicados ao seu amigo compositor Franz Liszt. Este estudo levou esse nome pois parece ter sido inspirado pelo sofrimento que teve pela queda da Polônia, sua amada terra natal, numa insurreição revolucionária contra a Rússia (segundo relatos, ele manifestava imensa dor por esta derrota), no mesmo ano.

Trata-se de uma peça muito difícil, que mesmo sendo usualmente apresentada em concertos, também destina-se ao estudo da técnica, da velocidade, sendo uma importante obra no aprendizado do piano. Aqui a velocidade é dada com uma escala harmônica feita com a mão esquerda, e a melodia com a direita. Toda esta velocidade imposta com a mão esquerda começa com rompantes em notas mais agudas que parecem escorregar para o lado grave do piano, sendo mesmo uma metáfora para a queda da Polônia ... ouvindo a música temos a sensação mesmo de algo que cai, que vai por terra como uma energia acumulada que se desfaz...

Vista de Krakóvia de Ulica Nowy Swiat, Varsóvia, 1778 - Bernardo Bellotto
Frederic Chopin compondo seu estudo em Dó Menor - Norman Price

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010 - 1

Retomando a minha promessa de postagens sobre Chopin no bicentenário de seu aniversário em 2010, gostaria de deixar o vídeo de uma das suas baladas, executada por Vladimir Horowitz.


A Balada nº 1, em Sol menor, Opus 23, é a primeira das quatro baladas compostas pelo compositor polonês Frédéric Chopin para piano. Foi composta entre 1835 e 1836, durante os primeiros dias do compositor em Paris, e foi dedicada ao "Monsieur le Baron de Stockhausen" embaixador de Hanover na França. De acordo com um comentário do compositor Robert Schumann, Chopin teria citado o poeta Adam Mickiewicz como influência para as suas baladas. Ele teria escrito em uma carta: "Recebi uma nova balada de Chopin. Parece um trabalho bastante próximo de seu gênio, embora não seja o mais genial e eu lhe disse que de todas as suas composições é a que mais gosto."

No filme O Pianista, esta balada é tocada duas vezes, na interpretação de Janusz Olejniczak, dirigido por Roman Polansky. Na primeira vez, são escutados apenas alguns compassos, quando Władysław Szpilman toca no ar, num hospital alemão abandonado. Na segunda vez, é ouvida numa cena de aproximadamente 4 minutos, quando um militar alemão é tocado pela beleza da música e do talento de Szpilman, desistindo de entregá-lo para os nazistas.

E de pensar que já toquei isso... desisiti pois nunca consegui fazer direito depois do 08:46, é muuuuuito difícil!

Visite este post para mais informações sobre Chopin: http://moradadevenus.blogspot.com/2009/12/200-anos-do-nascimento-de-frederic.html

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

200 anos do nascimento de Frédéric Chopin em 2010


Estudei piano por 10 anos na minha infância, ainda toco hoje - embora não como antes-, mas tenho um sentimento muito especial por este instrumento magnífico. O compositor que mais gostava de estudar era Chopin, por isso, gostaria de fazer uma humilde homenagem com um post sobre ele, agora que fará 200 anos do seu nascimento. Durante todo ano de 2010 colocarei obras suas nos meus posts.
Frédéric Chopin (1810-1849) foi um compositor polonês do período romântico (talvez o ícone desta fase), um gênio, sendo considerado um dos maiores compositores para piano de todos os tempos. Era filho de mãe polonesa e pai francês. Em uma escola que frequentou em Varsóvia já impressionava os professores por sua habilidade para fazer retratos e escrever cartas. Mas o dom era mesmo para música, tendo aos 7 anos já composto duas " polonesas" e sendo considerado um segundo Mozart naquela cidade. Aos 20 anos já dava concertos em Viena e no leste europeu, mudando-se posteriormente para Paris, onde fez carreira como intérprete, professor e compositor . Lá teve contato com personalidades artísticas da época, como o pintor Eugène Delacroix (que fez retratos seus), o compositor Franz Liszt (que terminou de compor um de seus noturnos após a sua morte), fez amizade com outros compositores renomados como Berlioz, Mendelssohn, Bellini e Schumman (este último o considerava um gênio). Teve uma relação amorosa turbulenta com a escritora francesa George Sand, através da qual conheceu a maioria destas " celebridades". Morreu aos 39 anos aparentemente vítima da tuberculose, assim como muitos outros românticos famosos (embora haja suspeitas de que fosse portador de fibrose cística, já que nunca teve boa saúde). Antes do seu funeral foi retirado o seu coração (a pedido dele), o qual a sua irmã levou, dentro de uma urna de cristal selada, banhada em cognac, para Varsóvia. Esta caixa permanece selada em um pilar da Igreja da Santa Cruz, com os dizeres " onde o seu tesouro está, está também seu coração", o qual foi poupado pelos nazistas durante a 2a. guerra. O funeral foi na Igreja de la Madeleine em Paris, com a presença de 3000 pessoas e ao som, entre outras, da " Marcha Fúnebre", por ele composta. Está enterrado no cemitério Père Lachaise em Paris.
Estudar Chopin hoje é imprescindível para todo o estudante de piano, não só pela dificuldade técnica, mas principalmente pela profundidade expressiva que as obras exigem, deve haver um mergulho na musicalidade. A sua influência na música erudita é indiscutível e pode ser observada em vários compositores, como Schumman e Liszt. Ele inovou em formas musicais exclusivas para a época, como as baladas, as sonatas para piano, noturno, improvisos e prelúdios, além de incorporar em alguns trabalhos os sentimento nacionalista eslavo, em suas mazurkas e polonesas. Muitas obras são internacionalmente conhecidas, como é o caso da Valsa Brilhante (do desenho do Tom e Jerry), da balada no. 1 op. 23 (que foi trilha do filme O Pianista), da própria Marcha Fúnebre, da Fantasia-Impromptu e da primeira parte do Estudo op. 10 no. 3 (que foi trilha da minissérie Riacho Doce) . Este último, o qual estou deixando aqui, foi feito em homenagem ao amor do compositor pela ópera e pela sua terra natal, a Polônia. Ele próprio considerou esta a sua obra mais intimista, tendo uma vez escrito que nunca mais na sua vida conseguiria fazer uma melodia tão bela. Esta obra é conhecida como Tristesse (tristeza em francês).
Sem dúvida a música de Chopin é de linguagem universal, fala direto ao coração das pessoas. Ele é definitivamente o poeta do piano.
Você pode aprender mais sobre Chopin neste site: http://www.ourchopin.com/
As figuras correspodenm a: (1) Chopin tocando no salão do príncipe Radziwill - H.Siemiradzki; (2) Retrato de Frédéric Chopin - Eugéne Delacroix; (3) George Sand ouvindo Chopin ao piano - Adolf Karpellus; (4) Chopin no leito de morte.
Os vídeos correspondem às seguintes obras: Estudo no.3 opus 10 ("Tristesse") e Valsa do Minuto.