
A Provence ... outra região no mundo que sempre aflorou no meu imaginário, que virou um sonho real. Já me identifico com esta região há muito tempo, bem antes dela virar moda no mundo após a publicação de livros como
Um ano na Provence, do inglês Peter Mayle (que inspirou o filme
Um Bom Ano, com Russel Crowe e Marion Cotillard). Sempre me encantaram aquelas casinhas de pedra terracota com as janelas coloridas, os campos de lavanda e as perfumadas ervas, os ciprestes, as vinhas, as ruelas de cidades medievais, as lojinhas de
quincailleries. Sempre me encantou como esta região atraiu tantos artistas, como Van Gogh, Picasso, Renoir e Matisse. Algo de muito especial parecia haver por lá.
Estive lá agora, em setembro, viajando de carro pela região (maneira mais adequada de conhecê-la, e não se esqueça do GPS!) de Avignon até Mônaco. Infelizmente não pude presenciar os campos de lavanda e girassol floridos, isso você conseguirá no início do verão.

Mesmo assim, a região é perfumada pelas ervas de provence como o alecrim e a sálvia (que ficam enormes!), mas não só isso, seus eucaliptos, pinheiros e figueiras são muitos mais perfumados do que os daqui, não sei porquê, e olha que tenho uma figueira em casa. Já em setembro, você terá a sorte de ver as parreiras carregadas de uvas, coisa mais linda. A culinária da Provence é um capítulo à parte; algumas experiências já descrevi no post " Experiência gastronômica na França".

Nosso passeio começou por Avignon, na região do Vaucluse, sendo que nosso hotel era na beira do rio Rhone, com vista para o majestoso
Palais des Papes (o qual foi a moradia dos papas de 1305 a 1378, devido à uma crise em Roma).

Além da visita desta cidade, pudemos conhecer, nos arredores, a
Pont du Gard, um gigantesco aqueduto construído no século I a.C..

Também por ali está Arles, cidade que abriga outra evidência da dominação da região pela Roma Antiga: a arena de Arles. No dia em que fomos, a cidade toda estava em festa, a
Feria du Riz (Festa do Arroz), que incluía feira de gastronomia da
Camargue (região da França que equivaleria ao
country americano), feira de cavalos e ... touradas. Assistimos a uma tourada, foi horrível, não tinha idéia de como maltratam os touros. Valeu pela experiência de ver aquela arena romana cheia de gente, estar num lugar que tem tanta história.

Só para esclarecer, é que a região de Arles (
Bouches du Rhone) tem influência espanhola, por isso a tourada, e também a presença da galera fazendo
paella pelos cantos da cidade. Nesta feira pudemos comprar azeite e mel da Provence (que são incríveis) por ótimo preço.

Também nos arredores de Avignon visitamos o antigo " hospício"
Mausoleum St Paul, em St Remy de Provence, onde Van Gogh morou após ter cortado a própria orelha quando morava em Arles. Lá ele pintou muitos de seus famosos quadros, como
Noite Estrelada. Muito próximo de St Remy fica Les Baux de Provence, uma citadela medieval que fica no alto de uma montanha enorme. Muito linda pela vista, pelas ruínas e também pelas inúmeras lojinhas de artigos da Provence.

Aqui você encontrará tudo o que representa a região: ervas de Provence, saches de lavanda (
lavandins),
savon de Marseille (sabonetes),
santons (bonecos típicos), artigos feitos com tecido da Provence (que é muito característico, bem colorido), azeites, vinhos e também uma loja maravilhosa com artigos medievais, se você gosta. Esta primeira parte da viagem foi a mais provençal da nossa aventura, eu diria, pelas estradas contornadas por vinhedos e oliveiras, pelos ciprestes, pelas casinhas bem características (se
O Segredo é verdade, me escuta: eu quero uma igual!!!).

Depois, seguimos em direção à região do
Var, que é a Provence em contato com o mediterrâneo. Aqui as características descritas se mantêm, mas associadas também às questões do mar, dos pescadores, da culinária rica em frutos do mar, dos passeios de barco, do mergulho. ... e do vinho rosé, sendo uma das mais importantes do mundo na produção deste vinho.


Recomendo muito a cidade de Cassis (que na verdade pertence a região de Bouches du Rhone), próxima à Marseille. A cidade é um porto muito charmoso, com seus diversos restaurantes, rodeada por montanhas, com praias de água cristalina, de onde pegamos um barco para conhecer as famosas Calanques, que são enormes falésias em meio a um mar azul-violeta. Já o mergulho (scuba) fizemos na Île de Porquerolles, um dos melhores pontos da região do Var, em um naufrágio recente (10 anos) chamado de Cimentier.
Quando estávamos indo ao nosso último destino na côte d´Azur (Antibes- Juan les Pins), pegamos um temporal horrível (coisa pouco comum lá, fazer o quê), numa estradinha de montanha minúscula e sem acostamento (várias delas assim, nas pequenas cidades), de modo que tivemos que abortar nossa visita em St Tropez e ir direto a Antibes. Vou ter que voltar lá, hehe.

Em Èze, você tem ainda um panorama incrível do mar, seja pela estrada que leva até lá, seja pelo
Jardin Exotique, um jardim com cactus e esculturas.


Em Nice, a Provence já se mescla fortemente com a cultura italiana, fazendo de Nice um outro jeito de ser, com sua culinária típica, o colorido de suas construções que lindamente contrasta com um mar turquesa. Grasse, a capital do perfume, onde na ficção foi descoberto o perfume perfeito pelo assassino Grenouille em
O Perfume, de Patrick Suskind, também possui moradas coloridas à italiana. E as compras nas perfumarias da cidade, entre elas a mais antiga,
Fragonard, ficam inevitáveis. Em La Turbie, a cidade mas alta que visitamos, o panorama da estradinha que leva até lá (vindo de Mônaco) é inesquecível, mas não pode ter medo de altura.

Lá está o
Trophée des Alpes, um monumento romano construído por Júlio César para comemorar a conquista da região.

Em Mônaco, não deixe de visitar o Museu Oceanográfico, com seus lindos aquários.
Ah ... carrego dentro de mim tudo de mágico que senti por lá para incorporar na minha vida por aqui.